O governador Tarcísio de Freitas enviou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um projeto de lei que pretende transformar as olimpíadas do conhecimento em política pública permanente. A iniciativa, batizada de Programa Olimpíadas do Conhecimento SP, visa garantir que as competições científicas e tecnológicas continuem sendo realizadas para as próximas gerações de estudantes da rede estadual.

Vinculado à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), o programa segue a mesma estratégia de consolidação de outras iniciativas da pasta, como o Provão Paulista – que já abriu 46 mil vagas em universidades públicas – e o Prontos pro Mundo, responsável pelo intercâmbio anual de mil estudantes para países de língua inglesa.

O projeto de lei formaliza ações que já mobilizaram mais de 4 milhões de alunos da rede estadual em 2024 e 2025 e premiaram 500 mil estudantes nos últimos dois anos. Voltado a alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, o programa estimula o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais por meio da cultura científica.

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"O projeto de Olimpíadas Científicas da rede estadual busca criar referências acadêmicas entre estudantes da escola pública, valorizando talentos nas áreas de matemática e língua portuguesa", afirma Marina Horta, coordenadora da equipe de olimpíadas da Educação de SP. "Ao dar visibilidade ao desempenho dos alunos, a iniciativa contribui para que eles se reconheçam como capazes de enfrentar desafios intelectuais. Assim, mais do que uma competição, as olimpíadas funcionam como uma estratégia de fortalecimento da autoestima acadêmica, o que colabora também para a construção de referências positivas na escola pública".

Atualmente, a seleção para as competições ocorre com base no desempenho escolar: são selecionados para a Olimpíada de Matemática (Omasp) e para a Olimpíada Interpreta SP (Olisp) os 30% dos alunos que obtiveram as maiores pontuações em matemática e língua portuguesa na Prova Paulista do 1º e 2º bimestres.

Com a aprovação do projeto, a estrutura das competições também envolverá o suporte das chamadas Escolas Olímpicas e a oferta de Aulas Olímpicas – atividades que acontecem aos sábados. O texto ainda estabelece a disponibilização de materiais didáticos específicos, apoio pedagógico e formação continuada para professores. Também está prevista a distribuição de prêmios aos estudantes da rede estadual com melhor desempenho nos ciclos olímpicos.

A proposta autoriza a realização de parcerias com instituições públicas e privadas para o apoio técnico, pedagógico e financeiro ao programa, sendo as despesas custeadas por dotações próprias da Secretaria da Educação. Ao elevar as olimpíadas do conhecimento ao status de lei, o Governo de SP busca fortalecer o aprendizado com foco na excelência acadêmica dos estudantes.

As olimpíadas estaduais do conhecimento foram implantadas por essa gestão com o objetivo de valorizar os talentos dos estudantes em suas próprias escolas, e a níveis estadual e nacional. A primeira delas, a Omasp, foi realizada pela primeira vez no ano de 2024. No mesmo ano, a Educação organizou a Redasp (Olimpíada de Redação das Escolas Estaduais de São Paulo), substituída em 2025 pela Olisp (Olimpíada Interpreta SP).

Para as competições, são selecionados para a Omasp e a Olisp 30% dos alunos, de acordo com o ano/série e o município, que tiveram as maiores pontuações nas questões de matemática e língua portuguesa na Prova Paulista do 1º e 2º bimestre, respectivamente – essa é a primeira fase das disputas. Na segunda fase, os candidatos participam das provas on-line na própria unidade onde estão matriculados. O nível de dificuldade de cada item varia de acordo com a etapa de ensino. Por fim, são reconhecidos com medalha os 5% melhores por município ou região (São Paulo, Guarulhos e Campinas).

No caso da Omasp, há ainda uma terceira fase só com os medalhistas de ouro. Os selecionados têm a chance de concorrer a uma das 225 vagas reservadas à rede estadual paulista na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

Em dois anos, a Secretaria da Educação já entregou mais de 500 mil medalhas para os estudantes classificados nas competições estaduais de língua portuguesa e matemática. Foram premiados, pela Omasp: 123 mil estudantes na segunda fase em 2025 (sendo 15,9 mil com medalhas de ouro, 34,5 mil com prata e 72,5 mil com bronze) e 1.934 estudantes na terceira fase em 2025 (sendo 225 ouro, 509 prata e 1.200 medalhas de bronze). Em 2024, foram 127 mil estudantes na segunda fase (sendo 16,4 mil com medalhas de ouro, 35,8 mil com medalhas de prata e 75,3 mil com medalhas de bronze) e 1.935 estudantes na terceira fase (225 medalhas de ouro, 510 de prata e 1.200 de bronze).

Pela Olisp, foram 121 mil medalhas em 2025, distribuídas em: 15,9 mil de ouro, 33,9 mil de prata e 71,1 mil medalhas de bronze. Em 2024, a Redasp premiou 121,2 mil estudantes. Foram 15,7 mil medalhas de ouro, 34,1 mil de prata e 71,2 mil medalhas de bronze.

Além dos estudantes, os professores e as unidades regionais de ensino (UREs) que atingirem 90% ou mais de participação também são reconhecidas com o "troféu olímpico". A cada olimpíada, cerca de 6.700 profissionais são premiados.

Agora, a propositura segue para análise da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), onde será discutida e votada pelos deputados estaduais.