A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) deu o pontapé inicial na construção do Plano Estadual de Mineração 2050 (PEM 2050), uma estratégia que vai guiar o desenvolvimento do setor em São Paulo pelos próximos 26 anos. O trabalho técnico ficará a cargo de consultores e professores da Universidade de São Paulo (USP), através da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), instituição com vasta experiência em projetos para o setor público.
Durante 15 meses, a equipe irá coletar dados, fazer diagnósticos detalhados e propor diretrizes para fortalecer o desenvolvimento sustentável da mineração no estado. O plano será estruturado em seis cadernos temáticos que vão abordar desde o contexto da mineração paulista até a transformação de áreas já mineradas, passando pela caracterização dos setores produtivos, geração de empregos e práticas de sustentabilidade.
"O plano vai tratar dos desafios da atividade nas dimensões socioambiental e econômica e apresentará diretrizes alinhadas às políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável do Estado, traçando cenários futuros para o setor", explicou Marisa Maia, subsecretária de Energia e Mineração da Semil.
Além dos estudos técnicos, o processo contará com workshop e consulta pública, garantindo transparência e participação da sociedade. "O objetivo é construir um planejamento de longo prazo que concilie o aproveitamento responsável dos recursos minerais com a proteção ambiental, a organização do território e o desenvolvimento econômico regional, assegurando que a mineração continue contribuindo para a geração de riqueza e o crescimento de São Paulo", afirmou Marisa Barros.
A mineração paulista tem um peso significativo na economia do estado e do país. Voltada principalmente para a produção de insumos básicos para a construção civil, São Paulo responde por 70% da produção brasileira de areia industrial, 50% da areia comum, 30% da brita e 16% da argila.
Um estudo do Comitê da Cadeia Produtiva da Mineração (Comin), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), revela que o estado conta com 3.443 empreendimentos de mineração ativos. Em 2024, esses empreendimentos produziram mais de 130 milhões de toneladas de minérios e geraram mais de 13 mil empregos formais diretos.
Outro destaque da mineração paulista é a produção de água mineral. Em 2024, foram produzidos impressionantes 6,4 bilhões de litros no estado, que lidera o ranking nacional com 27% da produção do país. Essa liderança é sustentada por infraestrutura consolidada, mercado consumidor expressivo e desenvolvimento industrial. Atualmente, são 336 empreendimentos produtores, sendo que 90% são de pequeno e micro porte, distribuídos em cerca de 100 municípios paulistas.
O PEM 2050 surge como um instrumento estratégico para equilibrar o importante papel econômico da mineração com as necessidades de preservação ambiental e desenvolvimento regional sustentável, garantindo que o setor continue sendo um vetor de crescimento para São Paulo nas próximas décadas.

