Um grupo de estudantes da Faculdade de Tecnologia Estadual (Fatec) Zona Leste desenvolveu uma solução tecnológica que promete transformar a mobilidade de cegos e pessoas com baixa visão. Batizado de SecondVision, o projeto utiliza visão computacional e internet das coisas (IoT) para interpretar sinalizações fixas e detectar obstáculos no caminho, transmitindo todas as informações por áudio ao usuário.

A motivação para criar o sistema veio de uma realidade preocupante: "Deficientes visuais têm uma taxa de mortalidade 89% maior do que indivíduos com outros tipos de necessidades especiais", revela Tiago Bryan Ramos de Oliveira, um dos desenvolvedores. "Esse quadro afeta aspectos como mobilidade, autocuidado e participação social, aumentando a dependência de cuidadores e comprometendo a autonomia", completa.

O protótipo funciona com uma câmera acoplada a um colete, conectada a um sistema de IoT integrado à computação em nuvem. A inteligência artificial treinada pelos estudantes processa as imagens captadas e envia as informações ao celular do usuário via bluetooth. "A ferramenta identifica obstáculos – como veículos, postes ou irregularidades no piso – e interpreta textos em placas. Tudo é reproduzido por áudio, permitindo que a pessoa se oriente mesmo em ambientes desconhecidos", detalha Pedro Fernandes Araújo, outro integrante da equipe.

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Sob orientação dos professores Jeferson Roberto Lima e Rogério Costa, os alunos Gustavo Mendes Ventieri, Pedro Fernandes Araújo e Tiago Bryan Ramos de Oliveira, do curso de Desenvolvimento de Sistemas, assumiram o desafio de criar uma ferramenta capaz de fortalecer a independência e os direitos de cidadania de pessoas com deficiência visual. Para reduzir custos, os estudantes também desenvolveram um estojo protetor para o equipamento usando impressão 3D, tornando o produto mais acessível.

O SecondVision foi apresentado na 16ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), principal evento de inovação e empreendedorismo das Escolas Técnicas (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais de São Paulo. Gustavo Mendes Ventieri destaca o impacto social do projeto: "O SecondVision promove inclusão e equidade ao ajudar na implementação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que assegura independência, cidadania e participação social".

Segundo os desenvolvedores, a solução busca combater desigualdades ao oferecer autonomia a um público frequentemente negligenciado tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada. O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, 8 e 10 da Agenda 2030 da ONU, voltados à promoção da saúde e bem-estar, do trabalho decente e da redução das desigualdades.

A iniciativa representa um exemplo concreto de como a tecnologia pode ser aplicada para resolver problemas sociais reais, oferecendo mais segurança e independência para pessoas com deficiência visual em seu dia a dia. Com o desenvolvimento contínuo, o SecondVision tem potencial para se tornar uma ferramenta essencial na promoção da acessibilidade e inclusão no Brasil.