Cada vez mais brasileiras vão enfrentar a secura vaginal e a dor durante as relações sexuais nos próximos anos. Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres viverão mais tempo na pós-menopausa e, consequentemente, passarão mais anos lidando com essas questões desconfortáveis. Os ginecologistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo explicam que até sete em cada dez mulheres que param de menstruar relatam esses sintomas.

O problema ocorre devido à redução natural dos níveis de estrogênio após os 45 anos de idade. Essa diminuição hormonal provoca o que os médicos chamam de síndrome geniturinária da menopausa ou síndrome urogenital. Além da secura vaginal e da dor na relação sexual, os sintomas incluem urgência e aumento da frequência para urinar, infecção urinária de repetição, além de ardor, queimação e coceira na região íntima.

Apesar de ser mais comum durante a menopausa, o quadro pode aparecer também no climatério, durante a amamentação ou em tratamentos de bloqueio hormonal, comuns entre pacientes oncológicas. O que todas essas situações têm em comum é a queda nos níveis de estrogênio, hormônio fundamental para a saúde do trato urogenital feminino.

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Muitas mulheres encaram esses sintomas como um processo natural do envelhecimento e acabam sofrendo em silêncio. Porém, os especialistas são enfáticos: a síndrome geniturinária da menopausa é um quadro tratável. O problema vai além do desconforto físico - ele prejudica o bem-estar integral da mulher, afetando sua rotina diária, sua vida emocional e seus relacionamentos.

Impacto na qualidade de vida

As consequências da síndrome urogenital são amplas. As infecções urinárias de repetição, as dores constantes e os possíveis escapes de urina interferem diretamente no dia a dia. No aspecto emocional, a dor durante o sexo pode tornar as relações sexuais desprazerosas, impactando a satisfação, a autoestima e a dinâmica dos relacionamentos afetivos.

"É pouco comum, mas extremamente vantajoso o uso de laser íntimo, como opção não hormonal. As pacientes sentem menos efeitos colaterais e benefícios em pouco tempo", comenta o Dr. Marcelo Antonini, diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HSPE. O hospital se destaca por elaborar intervenções personalizadas para cada paciente, reconhecendo que cada mulher vivencia a síndrome de maneira única.

Tratamentos disponíveis

As opções terapêuticas são variadas e devem ser discutidas com um ginecologista. Para casos mais leves, podem ser indicados hidratantes e lubrificantes vaginais, além de orientações comportamentais e sexuais para lidar com as questões que afetam a vida afetiva. Quando necessário, pode-se recorrer à terapia hormonal local com estrogênio ou à terapia sistêmica para combater as sensações desconfortáveis e prevenir infecções.

Outra alternativa que tem ganhado espaço é a fisioterapia do assoalho pélvico, que ajuda a controlar a urgência para urinar e os escapes de urina. O importante é buscar ajuda médica assim que os primeiros sintomas aparecem, sem normalizar o desconforto como "parte da idade".

Prevenção e cuidados

Embora a síndrome urogenital seja inevitável para muitas mulheres, algumas práticas podem ajudar a reduzir a progressão e o impacto dos sintomas. Os especialistas recomendam realizar acompanhamento ginecológico regular, usar hidratantes vaginais precocemente quando indicado, manter atividade sexual quando desejada, evitar produtos irritantes e duchas vaginais, e tratar os sintomas iniciais o quanto antes.

O caminho para enfrentar essa fase com mais qualidade de vida passa pelo diálogo aberto com profissionais de saúde, pela busca de informações confiáveis e pelo entendimento de que, mesmo sendo comum, o desconforto não precisa ser permanente. Com os tratamentos disponíveis hoje, é possível viver a maturidade feminina com mais conforto e bem-estar.