A 20ª edição da Semana Cultural Indígena Guarani começou nesta terça-feira (14) na Terra Indígena Tekoha Añetete, em Diamante D'Oeste, no Paraná. Sediado no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo'e, o evento segue até quinta-feira (16) com atividades nos períodos da manhã e da tarde, atraindo visitantes de toda a região. Realizada anualmente, a semana é o evento que mais atrai público para o município, reunindo cerca de 5 mil participantes na edição passada, com expectativa de igual ou maior número este ano.

"A Semana Cultural Indígena é um momento significativo de aprendizado e troca de experiências entre indígenas e não-indígenas. Mais que um evento, é um espaço de reconhecimento, respeito e preservação dos saberes tradicionais, reafirmando a importância da cultura indígena como parte essencial da nossa história e da nossa sociedade", afirmou o diretor do Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo'e, Jairo Cesar Bortolini.

A programação inclui apresentações culturais, danças, práticas de medicina natural, vendas de artesanato indígena, pintura facial e uma trilha em meio à natureza. O grande diferencial desta edição é a presença do planetário móvel do Parque da Ciência Newton Freire Maia, enviado diretamente de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Aberto ao público com taxa de contribuição de R$ 7,00 por pessoa, o evento integra as comemorações do Dia dos Povos Indígenas, celebrado no próximo domingo (19).

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Céu Guarani – Além da cultura e dos costumes locais, os visitantes poderão conhecer mais sobre a astronomia indígena. O planetário móvel trará apresentações sobre as constelações visualizadas pelo povo Guarani, que diferem das tradicionais. Durante as projeções de 20 a 30 minutos, serão abordados mitos, lendas e conhecimentos extraídos da observação dos astros, com capacidade para até 50 participantes por sessão e expectativa de 2 mil pessoas ao longo dos três dias.

"Em sessões de 20 a 30 minutos, os visitantes têm contato com um pouco da astronomia tradicional, mas também com outras formas de enxergar o céu, por meio dos mitos e fenômenos vistos pelos indígenas brasileiros, em particular os Tupi-Guarani. É uma cultura viva, que precisa ser preservada e divulgada, mostrando a riqueza e o conhecimento que os indígenas têm sobre os ciclos da natureza, o céu e a rotina do planeta", destacou o diretor do Parque da Ciência, Anísio Lasievicz.

A projeção do céu Guarani é um trabalho realizado desde a criação do planetário do Parque da Ciência Newton Freire Maia, pioneiro em estudos sobre astronomia indígena no Brasil. Centro de divulgação científica da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), o parque já recebeu mais de 1,4 milhão de visitantes desde 2002 e atualmente passa por obras para inaugurar um novo planetário, que será o mais moderno da América Latina, com investimento de R$ 46,47 milhões do Governo do Paraná.

Conforme o secretário da Educação, Roni Miranda, a parceria com o Parque da Ciência evidencia a consolidação da Semana Cultural Indígena Guarani. "Ela traz novidades para o público a cada edição. Neste ano, a parceria com o Parque da Ciência vai agregar ainda mais conhecimento e inovação ao evento, por meio do planetário móvel. Não é à toa que a Semana Cultural Indígena se configura como um dos principais momentos de celebração e valorização da cultura indígena e do papel transformador das escolas indígenas no Paraná", observou.

Participação da comunidade – Realizada anualmente desde 2006, a Semana Cultural Indígena Guarani é organizada por diretores, professores e estudantes das duas instituições de ensino indígenas de Diamante D'Oeste: a Escola Estadual Indígena Araju Porã e o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo'e, que se alternam como sede. O colégio atende mais de 130 alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, que se engajaram na preparação, com apoio dos cerca de 35 alunos da escola Araju Porã.

"Contamos sempre com a parceria da Escola Estadual Araju Porã. É um momento de celebração na Semana Nacional dos Povos Indígenas, então as comunidades se abrem para receber as visitas e mostrar o modo de ser, a religiosidade, a cultura e os costumes do povo Guarani", acrescentou o diretor Jairo Bortolini. A organização também conta com apoio da Seed-PR, do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Toledo, do Governo Federal, da Prefeitura Municipal de Diamante D'Oeste e da Itaipu Binacional.

Rede de escolas indígenas – A rede estadual de ensino do Paraná conta com 40 escolas indígenas que atendem cerca de 5,5 mil estudantes das etnias Kaingang, Guarani, Xokleng e Xetá. As instituições mantêm normas, pedagogia e funcionamento próprios, respeitando a especificidade étnico-cultural, com ensino intercultural e bilíngue desde a Educação Infantil. As matrizes curriculares do Ensino Médio incluem componentes específicos como Filosofia Indígena, Cultura Corporal Indígena e História e Direitos Indígenas.

A Seed-PR também promove a inserção de conteúdos e práticas pedagógicas que visam a valorização da cultura indígena em todos os componentes curriculares da rede estadual, implementando a Lei Federal 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura indígenas. Anualmente, a pasta oferece curso de formação continuada para professores sobre Educação das Relações Étnico-Raciais.