O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um importante passo para fortalecer a produção nacional de medicamentos essenciais. Nesta sexta-feira (28), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou no Hemorio, no Rio de Janeiro, que o aproveitamento do plasma sanguíneo será ampliado em 30% com a aquisição de 604 equipamentos de alta tecnologia.

A compra dos equipamentos, que já começaram a chegar e serão instalados até o primeiro trimestre de 2025, representa um investimento de R$ 116 milhões do Novo PAC Saúde. Segundo o ministro, essa iniciativa vai gerar uma economia de R$ 260 milhões por ano com a redução da necessidade de importação de medicamentos derivados do plasma.

Padilha explicou que o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma, o que gerava insegurança para pacientes com doenças que dependem de hemoderivados. "Cada vez mais, as imunoglobulinas são utilizadas não só para doenças infecciosas, mas para outros tipos de doenças também, as imunoglobulinas hiperimunes", afirmou o ministro em nota divulgada pelo governo federal.

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O plasma é a parte líquida do sangue e se transforma em medicamentos essenciais para o cuidado de pacientes com hemofilia, doenças imunológicas, outras condições de saúde e também para cirurgias de grande porte. Com a nova tecnologia, a rede pública passará a contar com blast-freezers (congelamento ultra-rápido), ultrafreezers (congelamento rápido) e freezers convencionais.

A ampliação da capacidade de processamento vai beneficiar 125 serviços de hemoterapia em 22 estados, permitindo que a nova fábrica da Hemobrás, inaugurada este ano, atinja plena capacidade de produção. A expectativa é que sejam processados até 500 mil litros de plasma por ano, transformando o Brasil na maior fábrica de hemoderivados da América Latina.

Os números mostram um crescimento expressivo na disponibilidade de plasma no país. Nos últimos três anos, a disponibilização de plasma pelas unidades da rede pública aumentou 288%, saltando de 62,3 mil litros para 242,1 mil litros.

O anúncio ocorre em uma semana especial para o sistema de saúde brasileiro - a semana nacional do doador de sangue. Em 2024, mais de 3,3 milhões de bolsas foram coletadas no país, o que representa 1,6% da população brasileira. Atualmente, apenas 13% do plasma coletado por meio de doações voluntárias é utilizado em transfusões, o que significa que 87% ainda podem ser destinados à produção de hemoderivados, potencializando ainda mais os benefícios dessa nova capacidade instalada.