O cenário do ensino superior na América Latina ganhou um novo destaque brasileiro nesta quarta-feira (3), com a publicação do ranking da consultoria britânica Times Higher Education (THE). A Universidade Estadual Paulista (Unesp) conquistou a quarta posição entre 226 instituições avaliadas em 16 países da região, subindo um degrau em relação ao quinto lugar obtido no ano anterior.

O resultado coloca a Unesp em um empate técnico com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ambas compartilhando a quarta colocação. O pódio ficou com a Universidade de São Paulo (USP) em primeiro lugar, seguida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, em segundo e terceiro, respectivamente.

O domínio brasileiro no ranking é notável: das dez primeiras posições, sete são ocupadas por universidades do Brasil. No total, 69 instituições brasileiras aparecem na classificação, demonstrando a força do ensino superior nacional na região. A presença massiva reflete tanto o tamanho do sistema universitário brasileiro quanto os investimentos em pesquisa e infraestrutura realizados nas últimas décadas.

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Para chegar a essas posições, a Times Higher Education utiliza uma metodologia complexa que avalia 16 indicadores de desempenho, agrupados em cinco áreas principais: Ensino, Ambiente de Pesquisa, Qualidade da Pesquisa, Indústria e Perspectiva Internacional. Cada universidade recebe uma pontuação ponderada em cada uma dessas dimensões.

No caso da Unesp, o ponto mais forte foi justamente na área de Ensino, onde a instituição obteve o terceiro melhor desempenho entre todas as universidades avaliadas. Em Ambiente de Pesquisa, ficou na sexta posição, enquanto em Qualidade da Pesquisa e Indústria ocupou a nona colocação. A área que apresentou maior desafio foi a de Perspectiva Internacional, onde a Unesp apareceu na 70ª posição – um indicador que mede a internacionalização da instituição, incluindo a proporção de estudantes e pesquisadores estrangeiros e a colaboração em projetos internacionais.

Este ano, o ranking latino-americano passou por uma mudança metodológica significativa. Anteriormente, as pontuações eram estabelecidas comparando apenas as universidades da região entre si. Agora, a edição latino-americana incorpora o ranqueamento mundial, usando a mesma base de dados e critérios do ranking global da THE. Essa alteração trouxe ajustes nas pontuações e mudanças nas posições de várias instituições, tornando a comparação com anos anteriores mais complexa.

A posição da Unesp, no entanto, não é vista pela própria universidade como um objetivo em si mesmo. Em nota, a Comissão dos Rankings da Unesp esclareceu que "os resultados de rankings não representam os objetivos da instituição nem a visão de futuro da Universidade". A instituição destaca seu "elevado grau de comprometimento com a pesquisa aplicada às realidades de transformação das condições socioeconômicas e ambientais do Estado de São Paulo e, de modo geral, do Brasil".

Ainda assim, a comissão reconhece a relevância dos resultados, pois eles "mostram as consequências das ações que são realizadas continuamente pela Universidade Estadual Paulista". Ou seja, embora não seja uma meta oficial, o bom desempenho nos rankings internacionais serve como um termômetro da qualidade e do impacto do trabalho desenvolvido pela instituição.

O ranking completo, com a posição de todas as 226 universidades, está disponível no site da Times Higher Education, assim como os detalhes da metodologia utilizada. Para as instituições brasileiras, especialmente as públicas, os resultados reforçam a importância do financiamento contínuo e da valorização da pesquisa científica – elementos fundamentais para manter e melhorar a qualidade do ensino superior no país.