Zelar pela segurança de mais de 150 mil pessoas que circulam diariamente pelos sete campi da Universidade de São Paulo (USP) não é uma tarefa simples. Para enfrentar esse desafio, a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU) conta com uma infraestrutura robusta de monitoramento eletrônico, que inclui mais de 4.800 câmeras espalhadas por portarias, ruas e espaços abertos, funcionando 24 horas por dia. Esse sistema faz parte de um projeto integrado que prioriza ações preventivas para proteger tanto as pessoas quanto o patrimônio público.

O modelo de segurança da USP é composto por 11 centrais de monitoramento: uma Central de Controle de Operações, localizada na Cidade Universitária; sete centrais nos campi do interior e na Área Capital Leste de São Paulo; e três centrais de apoio em locais estratégicos, como o Centro de Difusão Internacional. José Antonio Visintin, superintendente de Prevenção e Proteção Universitária, explica: "Nosso modelo de segurança é integrado e compartilhado, priorizando as ações preventivas voltadas à segurança das pessoas e do patrimônio público. Esse sistema de monitoramento eletrônico consolidou um projeto de segurança iniciado com o policiamento comunitário, em 2015, e com o lançamento do aplicativo Campus USP, em 2016, com foco na integração com a comunidade universitária".

As câmeras do sistema são de tipos variados, incluindo bullet, dome e speed dome, com destaque para as 45 unidades LPR (Reconhecimento de Placas de Veículos) instaladas nas portarias. Essas câmeras são conectadas ao sistema Muralha da Secretaria de Segurança Pública, antigo Detecta, e enviam dados em tempo real para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), aumentando a eficiência no combate a crimes. Na Cidade Universitária, sozinha, há cerca de 2.000 câmeras, reforçando a vigilância em áreas comuns, vias e estacionamentos.

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A Central de Controle de Operações, desenvolvida em parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), começou a ser instalada em 2018 e é o coração do sistema. Equipada com 18 telas de monitoramento e uma lousa interativa, ela recebe e armazena imagens de todos os campi por pelo menos 30 dias. Três turnos de profissionais se revezam diariamente para garantir operação ininterrupta, gerenciando chamadas, alertas e o armazenamento de dados. João Eduardo Ferreira, superintendente de Tecnologia da Informação, destaca: "Nos últimos dez anos houve uma mudança conceitual de como a segurança é abordada na Universidade, passando a aceitar vários tipos de policiamento e monitoramento e gerando uma demanda por infraestrutura, conectividade, aplicativos. A STI trabalhou para atender a essa demanda, viabilizando e potencializando essas iniciativas".

O próximo passo, segundo Ferreira, é incorporar inteligência artificial ao sistema. Com base em dados acumulados de ocorrências e imagens, a USP planeja desenvolver um algoritmo para identificar comportamentos suspeitos e emitir alertas preventivos. "Nós passamos por uma fase de implantação da infraestrutura e agora estamos iniciando uma fase de introdução da inteligência artificial no sistema, de maneira a permitir a detecção de eventos e comportamentos suspeitos. É um desafio, mas temos expertise para avançar em sistemas cada vez mais automatizados", afirmou.

Essa evolução tecnológica está alinhada a uma mudança cultural na segurança da USP, que começou há uma década com uma parceria entre a universidade e a Secretaria de Segurança Pública (SSP), então comandada por Alexandre de Moraes. O policiamento comunitário, baseado no modelo japonês koban, foi implantado, priorizando a fixação dos mesmos policiais no campus para construir vínculos de confiança com a comunidade. Visintin ressalta os resultados: "A parceria com a Secretaria de Segurança Pública representou uma virada de página na Universidade. O resultado é evidente. Para se ter uma ideia, em 2015, ano em que o convênio foi assinado, tivemos um total de 315 ocorrências na Cidade Universitária entre furtos, roubos e acontecimentos graves como sequestro relâmpago e estupro. No ano passado, foram 181 ocorrências, a maioria de furto".

Além do monitoramento, a Guarda Universitária, com 250 agentes, passou por uma reestruturação que incluiu reforma de bases, treinamentos e valorização das equipes. Sua atuação foi ampliada para incluir emergências médicas e apoio a pessoas com mobilidade reduzida, com oito carros adaptados e 50 desfibriladores instalados em locais de grande circulação, como o Centro de Práticas Esportivas (Cepeusp). O aplicativo Campus USP, com mais de 5 mil downloads, facilita os chamados e integra a comunidade. Visintin complementa: "Hoje a convivência da comunidade universitária, da guarda e da Polícia é muito mais harmônica. Também temos parcerias com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e com o Corpo de Bombeiros, que oferecem treinamentos para nossas equipes".

Com investimentos contínuos em tecnologia, treinamento e parcerias, a USP demonstra que a segurança vai além da vigilância, envolvendo uma abordagem humana e integrada que beneficia toda a comunidade acadêmica.