A Universidade de São Paulo (USP) deu um salto expressivo no cenário acadêmico internacional, subindo da 57ª para a 32ª posição no Interdisciplinary Science Rankings (ISR) 2026, divulgado pela Times Higher Education (THE) em parceria com a Schmidt Science Fellows. Esse avanço consolida a USP como a líder indiscutível no Brasil e na América Latina, além de posicioná-la como a única instituição brasileira entre as 50 melhores do mundo nessa classificação, que avalia a capacidade das universidades de promover pesquisas que integram diferentes áreas do conhecimento para enfrentar desafios globais complexos.
O ranking, que está em sua segunda edição, analisou 911 universidades de 94 países—um aumento de 22% em relação ao ano anterior—e tem como foco a ciência interdisciplinar, definida como projetos que envolvem duas ou mais disciplinas científicas ou a combinação de ciências com áreas não Stem, como ciências sociais, direito e saúde. A metodologia do ISR 2026 é baseada em 11 métricas distribuídas em três pilares: insumos (como financiamento para pesquisa, com peso de 19%), processo (que inclui suporte administrativo e infraestrutura, com 16%) e resultados (avaliando publicações, citações e reputação, responsáveis por 65% da pontuação). Para se qualificar, as instituições precisam ter publicado pelo menos 100 artigos interdisciplinares entre 2020 e 2024, utilizando dados de mais de 174,9 milhões de citações da base Scopus.
No contexto brasileiro, a USP se destaca de forma clara, seguida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) na 86ª posição, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em 144º, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 177º e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na faixa de 201 a 250. No total, o Brasil tem 37 instituições na lista, mas a performance da USP evidencia seu papel de vanguarda. Em nível global, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) manteve a liderança pelo segundo ano consecutivo, com as universidades dos Estados Unidos dominando as primeiras colocações, enquanto a Índia se destacou como o país com mais instituições ranqueadas, totalizando 88.
Fátima Nunes, coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP, enfatizou a importância do trabalho interno para alcançar esse resultado. "Trata-se de um ranking novo, que teve início no ano passado e agora entra em nosso monitoramento. O que ele traz de interessante é como evidencia a relevância da pesquisa interdisciplinar da USP. Embora saibamos o volume dessas pesquisas, o monitoramento delas não é fácil. Diante disso, o Egida fez um trabalho conjunto com a PRPI [Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação] para a coleta e organização de dados, o que se mostrou fundamental para o resultado que possibilitou esse excelente posicionamento da Universidade. É uma ação que deve ser contínua para incrementar o autoconhecimento da nossa Universidade em relação às suas potencialidades e aos pontos em que pode melhorar", afirmou.
Os resultados foram anunciados em 20 de novembro, durante o THE Interdisciplinary Science Forum em Washington, evento que reuniu líderes acadêmicos para debater estratégias de pesquisa integrada. A USP foi representada pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Paulo Nussenzveig, que participou de um painel sobre a adaptação de modelos interdisciplinares às características institucionais. Ele comentou: "Nossa subida da 57ª para a 32ª posição no contexto em que o número de instituições participantes aumentou significativamente torna nossa evolução ainda mais relevante e uma ilustração inequívoca da nossa relevância na pesquisa do presente e do futuro, que é marcadamente interdisciplinar". Nussenzveig também destacou a criação de um grupo de trabalho entre a PRPI e o Egida para aprimorar a coleta de dados, essencial para a precisão nas classificações.
Além disso, o pró-reitor reforçou a vocação natural da USP para a interdisciplinaridade, citando iniciativas como centros temáticos ligados à reitoria e a importância da diversidade e internacionalização. "Os grandes desafios da humanidade exigem a combinação de saberes e vivências de diferentes áreas do conhecimento. Não se trata de 'não disciplinaridade', mas de interdisciplinaridade: é fundamental que pessoas com grande conhecimento e profundidade disciplinar tenham ampla capacidade de diálogo com pessoas com perfil semelhante em áreas distintas das suas", explicou. Ele acrescentou que a universidade deve continuar investindo em ambientes diversos e inclusivos para fomentar a inovação.
O ranking serve não apenas como uma ferramenta de comparação, mas também como um guia para que universidades aloquem recursos e desenvolvam políticas que apoiem a pesquisa colaborativa. Com a ampliação do escopo para incluir ciências sociais e outras áreas, o ISR 2026 reflete uma tendência crescente na academia global, onde a solução de problemas complexos—como mudanças climáticas, saúde pública e desigualdades—exige abordagens que transcendem as fronteiras disciplinares. Para a USP, essa conquista não é apenas um reconhecimento de excelência, mas um incentivo para fortalecer ainda mais sua posição como referência em ciência interdisciplinar, inspirando outras instituições brasileiras a seguirem o mesmo caminho.
O ranking completo pode ser consultado no site da Times Higher Education, oferecendo uma visão detalhada das instituições líderes mundiais em pesquisa interdisciplinar.

