A cidade de Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, recebeu nesta quinta-feira (9) um marco tecnológico para o saneamento básico brasileiro: a primeira válvula compacta com fabricação 100% nacional que controla automaticamente a vazão da água no sistema de distribuição. O equipamento representa um avanço significativo na prevenção de perdas hídricas, um desafio histórico para o setor no país.
Desenvolvida pela empresa suíça Georg Fischer e adaptada para produção nacional com apoio da área de Pesquisa e Inovação da Sabesp, a válvula monitora e regula a vazão de água sem necessidade de intervenção humana. "A facilidade de instalação permitirá ampliar o parque de válvulas e com isso reduzir cada vez mais a ocorrência de vazamentos", afirma Marco Antonio Lopez Barros, diretor regional da Sabesp.
O funcionamento do sistema é imediato após a instalação, que leva aproximadamente 8 horas - incluindo abertura da vala, posicionamento do equipamento, conexão à tubulação, recomposição do pavimento e liberação da via. No modelo convencional, esse processo poderia levar até 20 dias, causando impactos negativos no abastecimento local e no trânsito da região.
Além de combater vazamentos, o mecanismo garante regularidade no fornecimento à população ao controlar a pressão nos canos, prevenindo rompimentos tanto na rede de distribuição quanto nas residências. A tecnologia já havia sido testada em um projeto piloto em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, e agora se expande para a região metropolitana com produção totalmente nacional.
O avanço tecnológico se insere em um contexto de transformação no setor de saneamento paulista. Desde a desestatização da Sabesp pelo Governo de São Paulo em 2024, os investimentos em obras e tecnologia de resiliência hídrica cresceram substancialmente. Esse movimento permitiu antecipar o prazo de universalização de água e esgoto para 2029, com investimento total estimado em R$ 70 bilhões.
Outras unidades da nova válvula serão instaladas na Região Metropolitana de São Paulo, ampliando os benefícios do sistema. Paralelamente, outras regiões do estado também recebem investimentos significativos - como o Vale do Ribeira, com R$ 1,67 bilhão até 2029, e Lins e 36 municípios da região, com R$ 518,6 milhões no mesmo período.
A combinação de tecnologia nacional, processos otimizados e investimentos robustos está criando um novo paradigma para o saneamento básico em São Paulo, onde inovações como a válvula de Itapevi demonstram como soluções inteligentes podem resolver problemas crônicos do setor, beneficiando diretamente a população com maior eficiência no abastecimento e redução de desperdícios.

