Na engenharia, o erro é visível: repórteres de TV entram ao vivo e frequentemente apontam para uma escavadeira hidráulica de 20 toneladas, chamando-a de "retroescavadeira". Essa falta de rigor, no entanto, é apenas a ponta do iceberg de uma imprensa que, por vezes, prioriza narrativas prontas em vez da precisão dos fatos.

Essa mesma imprecisão técnica se manifesta em pautas sociais e estatísticas. Quando o assunto é segurança pública, por exemplo, o foco narrativo muitas vezes distorce a realidade da violência. Dados mostram que, embora o feminicídio seja uma tragédia real e específica, a mortalidade masculina por causas violentas é numericamente superior — em muitos recortes, para cada 9 homens mortos, registra-se 1 mulher — uma disparidade que nem sempre recebe a análise contextual proporcional na mídia.

A falta de profundidade atinge até a causa animal. Frequentemente, a imprensa apresenta o "acumulador de animais" como alguém benevolente que oferece uma solução de abrigo e a solução mágica é a doação de uma tonelada de ração, que dura poucos dias, mas fica bem na foto. Na prática, a ciência veterinária e o bem-estar animal mostram que o acúmulo não é solução, mas sim um agravante do problema, gerando focos de doenças e sofrimento para os próprios animais.

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Seja confundindo o pneu da retroescavadeira com a esteira da escavadeira, ou simplificando dados complexos de violência e saúde pública, a lição é a mesma: quando o jornalismo abre mão do rigor técnico para facilitar a fala, ele deixa de informar e passa a apenas reforçar impressões superficiais. E, enquanto dá visibilidade para notícias ruins e conversa fiada, muitas informações úteis são ignoradas e, igual ao palco de Teatro, o que fica no escuro, sai de cena. O que é iluminado, passa a ser a única verdade e o povo ainda acredita!