O governo da Bahia concluiu o pagamento da indenização aos familiares de Mãe Bernadete, liderança quilombola assassinada em agosto de 2023 em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. A reparação foi realizada por meio de um acordo extrajudicial entre o estado da Bahia, a União e a família da vítima, intermediado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Os valores pagos são confidenciais, conforme informou a Procuradoria Geral do Estado nesta terça-feira.

De acordo com a procuradora Mariana Oliveira, a solução extrajudicial representa "uma forma concreta de reconhecer a gravidade do ocorrido". O acordo vai além da compensação financeira, incluindo também a realização de um ato público em homenagem à líder quilombola, conhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da diversidade cultural.

Mãe Bernadete integrava a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos e foi assassinada com 22 tiros dentro de sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares, no dia 17 de agosto de 2023. As investigações apontam que o crime foi motivado por disputas territoriais e pela atuação da líder contra o uso do quilombo por grupos criminosos.

Publicidade
Publicidade

Para Jurandy Pacífico, filho de Mãe Bernadete, o acordo com o estado tem caráter simbólico e também de proteção. A família já está marcada por outra tragédia: seis anos antes, outro filho dela, Binho do Quilombo, também foi assassinado. Atualmente, o neto de Mãe Bernadete vive sob escolta policial e sem emprego, enquanto a família move uma ação de R$ 11,8 milhões por danos morais.

Dois acusados pela morte de Mãe Bernadete, Arielson da Conceição Santos, preso preventivamente, e Marílio dos Santos, foragido, vão a júri popular marcado para começar no próximo dia 24 de fevereiro. Outras quatro pessoas estão presas, também indiciadas pelo mesmo crime.

Enquanto a comunidade quilombola celebra a memória de Mãe Bernadete e continua pedindo justiça, o acordo de indenização representa um passo importante no reconhecimento oficial da gravidade do crime contra uma das principais lideranças do movimento quilombola no Brasil.