O custo de vida para as famílias brasileiras voltou a subir no fim de 2025, com a cesta básica de alimentos ficando mais cara em 17 das 27 capitais do país. A constatação é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, levantamento mensal realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estudo, divulgado em janeiro de 2026, mostra que apenas em João Pessoa os preços médios permaneceram estáveis, enquanto nas demais capitais houve redução.

A capital que registrou o maior aumento foi Maceió, onde o custo médio da cesta subiu 3,19%. Em seguida, aparecem Belém (com alta de 1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%) e Teresina (1,39%). Por outro lado, as quedas mais expressivas foram observadas na região Norte, com Porto Velho liderando a lista (-3,60%), seguida por Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).

Um dos principais responsáveis pela alta generalizada foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais. Segundo os técnicos do Dieese, o aumento pode ser explicado pelo aquecimento da demanda interna e externa, combinado com uma oferta restrita do produto no mercado. Outro vilão do bolso do consumidor foi a batata, que apresentou alta em todas as capitais, exceto em Porto Alegre, onde o preço caiu 3,57%. No Rio de Janeiro, o aumento chegou a impressionantes 24,10%, reflexo das chuvas e do fim da colheita.

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A cesta básica mais cara do país continua sendo a de São Paulo, onde o custo médio chegou a R$ 845,95. Em seguida, aparecem Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Já nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

Com base na cesta mais cara (São Paulo) e considerando a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve cobrir despesas como alimentação, moradia, saúde, educação e transporte, o Dieese estimou que, em dezembro de 2025, o salário-mínimo ideal deveria ser de R$ 7.106,83 – o equivalente a 4,68 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00. O cálculo reforça o debate sobre o poder de compra das famílias e a necessidade de políticas públicas para conter a inflação dos alimentos essenciais.