O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (26) uma medida que deve aquecer os investimentos na pecuária de corte e leiteira da agricultura familiar. A partir de agora, as cooperativas do setor terão acesso a taxas de juros reduzidas – de 8% para 3% ao ano – nos financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), na modalidade Mais Alimentos, voltados especificamente para a bovinocultura.
Em nota, o Ministério da Fazenda explicou que a mudança busca estimular investimentos na produtividade do setor, com foco no melhoramento genético dos rebanhos. Até então, essa taxa mais baixa de 3% ao ano já era aplicada apenas para financiamentos contratados diretamente por agricultores familiares. Com a decisão do CMN, o benefício é estendido às cooperativas que atendem seus associados, ampliando o alcance do crédito subsidiado.
A nova taxa passa a valer para operações contratadas por cooperativas que adquirirem sêmen, óvulos e embriões para melhoramento genético, tanto na pecuária de corte quanto na de leite. O objetivo é permitir que os produtores familiares tenham acesso a animais de maior qualidade genética, o que pode resultar em ganhos de produtividade, melhor qualidade da carne e do leite, e maior resistência a doenças.
Além da redução da taxa de juros, o CMN também autorizou o financiamento desses itens de forma isolada por meio do Renovagro, programa voltado a sistemas de produção agropecuária sustentáveis. Outra novidade é a inclusão de serviços associados, como inseminação artificial e transferência de embriões, que antes estavam limitados a 30% do valor total do crédito de investimento. Agora, esses serviços podem ser financiados integralmente, facilitando a implementação das técnicas de melhoramento genético na propriedade rural.
Na mesma reunião, o colegiado aprovou a destinação de R$ 7,37 bilhões para o financiamento do setor cafeeiro em 2026, por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Os recursos serão utilizados em diversas frentes, como custeio da produção, comercialização, aquisição de café, capital de giro e recuperação de lavouras danificadas. Segundo o governo, a distribuição dos valores entre as diferentes linhas de crédito será definida pelo Ministério da Agricultura, seguindo as regras estabelecidas no Manual de Crédito Rural.
O CMN é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e também é composto pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. As decisões tomadas pelo conselho refletem a política econômica do governo federal e têm impacto direto no setor agropecuário, que é um dos pilares da economia brasileira.
Essas medidas chegam em um momento de atenção ao setor agropecuário, que enfrenta desafios logísticos e de mercado. Recentemente, notícias como a alta do dólar para R$ 5,25 devido a tensões no Oriente Médio e a busca por rotas alternativas de exportação, como via Turquia para contornar o Estreito de Ormuz, têm afetado o comércio exterior do agronegócio. Além disso, o Brasil proibiu a exportação de barbatana do tubarão-azul, mostrando uma preocupação com a sustentabilidade ambiental.
Para os produtores familiares e suas cooperativas, a redução dos juros e a ampliação do financiamento para o melhoramento genético representam uma oportunidade de modernização e aumento da competitividade. Com custos de financiamento mais baixos, fica mais viável investir em tecnologias que elevam a produtividade e a qualidade dos produtos, essenciais para garantir a renda no campo e a segurança alimentar do país.

