O ex-prefeito de Ibiúna, Fábio Bello, foi condenado por improbidade administrativa em um caso que envolve irregularidades em um contrato de terceirização da merenda escolar. A decisão judicial, que também atinge um ex-diretor de licitações da prefeitura, o sócio-administrador de uma empresa e a própria pessoa jurídica envolvida, determina que todos ressarçam o erário, paguem multa civil, tenham os direitos políticos suspensos e fiquem impedidos de contratar com o Poder Público. Bello já anunciou que vai recorrer da sentença, mantendo sua defesa em meio ao processo.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o contrato em questão previa a elaboração, o preparo e o fornecimento das refeições para os alunos da rede municipal. Contudo, investigações revelaram que a empresa contratada não executava todo o serviço prometido, limitando-se apenas à elaboração dos cardápios e ao fornecimento de insumos. O preparo das refeições continuou sendo responsabilidade das merendeiras da Prefeitura de Ibiúna, o que levantou suspeitas sobre a real necessidade da terceirização.

A suposta fraude ocorreu em 2015, durante o terceiro mandato de Fábio Bello. O vereador Carlinhos Marques, que acompanhou o caso de perto, conta que o então prefeito tinha a intenção de terceirizar integralmente o serviço de merenda, que até então era realizado por servidores municipais. Segundo o parlamentar, a licitação chegou a ser suspensa pelo Tribunal de Contas, mas, durante o período de férias escolares, a prefeitura acabou firmando um contrato emergencial com uma empresa que já havia sido citada em investigações da chamada “Máfia da Merenda”.

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Marques relata ainda que havia indícios claros de superfaturamento no contrato, além de casos em que funcionários municipais utilizavam uniformes da empresa terceirizada, sugerindo uma tentativa de mascarar a real execução do serviço. O custo final da merenda teria ficado três vezes maior em comparação ao modelo anterior, levantando questões sobre o impacto financeiro para os cofres públicos. O caso segue em tramitação, com os réus buscando reverter a condenação, enquanto a comunidade aguarda os desdobramentos jurídicos.