A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) está dando um passo importante para fortalecer o ecossistema de inovação paulista com uma série de novas ações dentro do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O objetivo central é acelerar a geração de startups de base científica e tecnológica – as chamadas deeptechs – conectando pesquisa acadêmica com o mercado e oferecendo suporte estruturado desde a concepção até a maturidade empresarial.
As novidades serão apresentadas em um evento on-line no dia 24 de março, das 9h às 12h, com inscrições abertas pelo site da FAPESP. Entre as principais iniciativas estão o lançamento do PIPE Jornada Tecnológica, a criação da modalidade Auxílio à Inovação Regular e um edital para credenciamento de incubadoras que atuarão como parceiras no processo de capacitação empreendedora.
O PIPE Jornada Tecnológica surge com foco em setores estratégicos para a economia e a sociedade. A primeira chamada, lançada nesta terça-feira (17), destina-se a projetos voltados para agronegócio, sistemas alimentares e bioeconomia. Pequenas empresas estabelecidas em São Paulo podem submeter propostas de pesquisa científica e tecnológica inovadora, com aplicação prática no desenvolvimento de produtos ou processos. Os temas de interesse incluem agricultura de precisão, bioprodutos, proteínas alternativas, biotecnologia agrícola e economia circular, entre outros.
Os projetos selecionados serão apoiados no âmbito do PIPE Fase 1, com recursos de até R$ 500 mil e prazo de execução de até um ano. "A ideia é que o PIPE Jornada Tecnológica seja uma porta de entrada para as pequenas empresas iniciarem suas trilhas de desenvolvimento tecnológico com apoio da FAPESP, até se tornarem independentes", explica Patricia Tedeschi, gerente de inovação da Fundação, em entrevista ao Pesquisa para Inovação.
As pré-propostas para esta chamada devem ser submetidas até 22 de abril, com prazo final para propostas completas em 17 de junho de 2026. Futuramente, estão previstas edições do PIPE Jornada Tecnológica voltadas para saúde (biofármacos e medicina de precisão), soberania digital (inteligência artificial e computação quântica), transição energética (hidrogênio verde) e educação (análise de dados e tecnologias assistivas).
Outra novidade significativa é o lançamento da primeira chamada da modalidade Auxílio à Inovação Regular, que visa preencher a lacuna entre a pesquisa acadêmica e o estágio inicial de uma startup. Com recursos de até R$ 600 mil e prazo de até três anos, essa modalidade apoia projetos de desenvolvimento técnico-científico focados na geração de soluções inovadoras – sejam produtos, processos, modelos de negócio ou serviços – que criem valor econômico, social ou ambiental.
"A meta é que o Auxílio à Inovação Regular contribua para avançar o TRL [Nível de Maturidade Tecnológica] de pesquisas que estão sendo desenvolvidas dentro de universidades, facilitando futuras transferências de tecnologia, licenciamentos ou a criação de spin-offs acadêmicas que poderão receber apoio do PIPE", detalha Rodolfo Azevedo, coordenador da área de tecnologias e parcerias de inovação da FAPESP. Ele ressalta que o foco é na aplicação prática: "O resultado do projeto tem que ser inovação. Não é publicação ou avanço do conhecimento puro, mas aplicação".
As propostas para o Auxílio à Inovação Regular devem ser submetidas pelo Sistema de Apoio à Gestão da FAPESP (SAGe) até 15 de junho de 2026, exigindo que o pesquisador responsável tenha vínculo com uma instituição sediada em São Paulo e demonstre experiência ou potencial para projetos de inovação competitivos.
Para completar o pacote de medidas, a FAPESP lançou um edital de credenciamento de incubadoras que passarão a integrar formalmente o ecossistema da Fundação. O objetivo é oferecer suporte logístico, infraestrutura física e mentoria especializada (nas áreas legal, contábil, regulatória e de propriedade intelectual) aos beneficiários do PIPE, fortalecendo sua capacitação empreendedora.
Podem se credenciar incubadoras com infraestrutura física própria no estado de São Paulo e histórico de apoio a pelo menos dez startups inovadoras. As propostas devem ser enviadas por e-mail até 15 de abril de 2026. "O objetivo é integrar formalmente esses ambientes de inovação ao ecossistema da Fundação", afirma Azevedo.
Com essas iniciativas, a FAPESP reforça seu compromisso com a inovação tecnológica em São Paulo, criando caminhos estruturados para que pesquisas científicas avancem em maturidade e se transformem em soluções reais para o mercado e a sociedade.

