O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação oficial no Brasil, registrou alta de 0,88% em março, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma aceleração de 0,18 ponto percentual (p.p.) em relação a fevereiro, quando o índice ficou em 0,70%, e supera o 0,56% observado em março do ano passado.

O avanço foi puxado principalmente pelos preços dos grupos transportes e alimentação e bebidas, que, juntos, responderam por 76% da inflação do mês. Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA, todos apresentaram elevações em março, com destaque para transportes (1,64%) e alimentação e bebidas (1,56%). Os demais oscilaram entre 0,02%, em educação, e 0,65%, em despesas pessoais.

No grupo de transportes, o aumento de 4,59% na gasolina foi o fator mais relevante, provocando um impacto de 0,23 p.p. na inflação geral do mês. A passagem aérea (6,08%) e o diesel (13,90%) também pesaram, embora com menor influência no índice geral. Já em alimentação e bebidas, as maiores altas ficaram com o leite longa vida (11,74%) e o tomate (20,31%), que representaram impactos de 0,07 e 0,05 p.p., respectivamente, sobre o IPCA de março.

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Conforme o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível verificar o efeito das incertezas no cenário internacional em alguns subitens, principalmente nos combustíveis. Ele destacou ainda que "no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros".

No acumulado do ano, o IPCA já soma avanço de 1,92%. Nos últimos 12 meses, o índice chegou a 4,14%, superando os 3,81% registrados no período imediatamente anterior. O IPCA mede a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

Em paralelo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, alcançou 0,91% em março, ficando 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%, ultrapassando os 3,36% acumulados no período anterior. Em março de 2025, o INPC havia chegado a 0,51%.

Os dados reforçam a pressão inflacionária no país, com destaque para itens essenciais do dia a dia, como combustíveis e alimentos básicos. O mercado financeiro já reagiu às notícias, elevando a previsão da inflação para 4,36% este ano, enquanto estudos apontam fatores estruturais para a inflação de alimentos no Brasil, um desafio persistente para a economia e o bolso do consumidor.