O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), divulgou nesta quinta-feira (9) sua projeção para a economia brasileira em 2024: um crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão, apresentada na Carta de Conjuntura nº 70, mantém um tom de "moderado otimismo", mesmo reconhecendo que o mundo vive "o momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria".

O cenário externo é marcado pela guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, que gera incertezas e pressiona o preço internacional do petróleo. No entanto, o Ipea ressalta que "a elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos". Entre essas dinâmicas, destacam-se "o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional".

O consumo das famílias, impulsionado pelo aumento real do salário mínimo, é apontado como "um dos maiores motores da economia", conforme descrito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial do PIB. Esse consumo, aliado ao crédito disponível, que pode viabilizar investimentos privados, forma a base da projeção positiva. Além desses fatores, a conta do crescimento do PIB considera as despesas do Estado e o saldo entre exportações e importações.

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No âmbito fiscal, o Ipea destaca que o Estado seguirá a política do novo arcabouço fiscal, "caracterizada pela combinação de elevação dos gastos públicos de natureza social e crescimento das receitas públicas". Esses gastos são diretamente influenciados pela valorização do salário mínimo e pela reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.

Quanto ao comércio exterior, o instituto observa que ele pode se beneficiar de "políticas fiscais expansionistas" em outros países, especialmente devido aos investimentos em inteligência artificial e aos gastos com armamentos decorrentes do conflito no Oriente Médio. O Ipea lembra que, mesmo com a eclosão da guerra na Ucrânia em 2022, o comércio mundial cresceu 5,8% naquele ano, sugerindo certa resiliência.

O Ipea tem histórico de acertos em suas projeções: no ano passado, previu corretamente um crescimento do PIB de 2,3%. Se a nova estimativa de 1,8% para 2024 se confirmar, o somatório do período 2023-2026 será de 10,7%, um índice superior aos dois quadriênios anteriores. Esse resultado seria cinco pontos percentuais acima do PIB total entre 2019 e 2022 (5,7%) e 0,8 ponto percentual acima do período 2015-2018 (9,9%). Para 2027, a estimativa preliminar do Ipea é de um crescimento de 2%.

Em paralelo, outras notícias econômicas recentes reforçam o contexto: o Banco Central prevê um crescimento de 1,6% para o PIB em 2026, o Ipea analisa que o mercado de trabalho pode absorver o fim da escala 6x1, e o IBGE mostra uma queda na taxa de informalidade. Esses elementos, combinados, pintam um quadro de recuperação gradual, ainda que cautelosa, para a economia do país.