A jovem Alana Anísio, de 20 anos, sobreviveu a um ataque brutal dentro da própria casa em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, no último dia 6 de fevereiro. O motivo da agressão, segundo as informações do caso, foi a recusa da vítima em aceitar um relacionamento com o agressor, que atualmente está preso. Alana foi esfaqueada 15 vezes, em um episódio que ela classifica como tentativa de feminicídio.
Após quase um mês internada na Clínica São Gonçalo, onde passou por várias cirurgias, Alana recebeu alta hospitalar no dia 4 de março e continua o tratamento em casa. Apesar da recuperação física, a busca por justiça se tornou uma prioridade. A primeira audiência do caso está marcada para o dia 15 de abril, às 14h, no Fórum Regional de Alcântara.
Pelas redes sociais, especialmente no Instagram, Alana tem usado sua voz para denunciar a violência e convocar um ato por justiça. Em suas publicações, ela reflete sobre a exposição necessária após um crime tão grave. "Como a maioria das vítimas de violência, a gente precisa abrir mão da nossa privacidade e do nosso momento após sofrer algo tão brutal para cobrar justiça", escreveu.
A jovem também destacou a sensação de insegurança que permeia a vida das mulheres em diversos espaços. "Relembro a todas que nós mulheres não estamos seguras na rua, nem no trabalho, na academia e nem na nossa própria casa, lugar onde a gente deveria estar segura", completou. Para Alana, a impunidade não é uma opção: o agressor deve receber a pena mais dura possível, e a sociedade precisa entender que o "não" de uma mulher deve ser sempre respeitado. "A sociedade não pode tolerar que mulheres sejam caladas e que o nosso 'não' não seja aceito", afirmou.
O caso de Alana ocorre em um contexto alarmante no Brasil. Dados recentes indicam que o país atingiu um recorde de feminicídios em 2025, com uma média de quatro mortes por dia. Esse cenário tem mobilizado autoridades e organizações da sociedade civil. O governo federal anunciou a criação de um centro para integrar dados e aprimorar o combate à violência contra mulheres, enquanto a TV Brasil tem exibido documentários que abordam a luta feminina e a violência doméstica, ampliando a discussão pública sobre o tema.
A audiência de abril será um marco no processo judicial de Alana, e a expectativa é que o caso sirva como um exemplo na luta contra a violência de gênero. Enquanto isso, a jovem segue firme em sua recuperação e na defesa de que histórias como a dela não caiam no esquecimento.

