A cidade de Ponta Grossa, no Paraná, vive um luto marcado pela injustiça e pela violência. Deivison Andrade de Lima, um jovem de 23 anos, morreu na última segunda-feira, dia 26, uma semana após ter sido vítima de um brutal linchamento. Ele foi acusado injustamente do assassinato de Kelly Cristine Ferreira de Quadros, de 42 anos, crime do qual era completamente inocente.

Kelly foi encontrada morta no dia 16 de janeiro, com sinais de agressão. A comoção na comunidade foi grande, e a busca por respostas rapidamente se transformou em uma caça às bruxas. No dia 18 de janeiro, Deivison foi abordado por três homens que, segundo relato da própria vítima à mãe, o colocaram à força dentro de um carro. No trajeto, os agressores teriam dito que "iam fazer com ele exatamente o que ele teria feito com essa moça". O jovem foi espancado de forma violenta.

Deivison chegou a ser socorrido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ponta Grossa, mas não resistiu aos ferimentos causados pela agressão coletiva. Sua mãe, Viviane Andrade, em entrevista à TVCI, emissora local, contou o desespero da família. "Quando eu cheguei, o meu filho ainda estava consciente e falou que três homens colocaram ele dentro de um carro e estavam levando ele para o matagal", relatou Viviane. Ela ainda destacou que o próprio filho afirmou ter sido confundido com outra pessoa.

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Enquanto Deivison lutava pela vida no hospital, a polícia já tinha em mãos o verdadeiro responsável pelo crime. Apenas um dia após o linchamento, um homem de 43 anos foi preso em flagrante pelo assassinato de Kelly e confessou o crime. Segundo as investigações, ele teria matado a mulher com uma pedrada após um desentendimento, e ambos teriam feito uso de drogas. O delegado Luis Timossi, que investiga o caso, foi categórico ao afirmar a inocência do jovem: "Deivison não teve envolvimento com a morte da mulher. Inclusive, no caso da Kelly, um outro suspeito foi preso pela prática deste homicídio e acabou por confessar o crime".

Agora, a polícia abriu um inquérito para investigar a morte de Deivison, mas ainda não confirma se já identificou os suspeitos de envolvimento no linchamento, nem quantas pessoas participaram das agressões. O caso expõe um grave problema de justiça com as próprias mãos, uma prática que, infelizmente, ainda ocorre em várias partes do Brasil, muitas vezes alimentada pela desconfiança nas instituições e pela sede imediata de vingança.

Para Viviane, a dor da perda se mistura com a busca por justiça. "Eu espero que a justiça encontre os culpados e que eles paguem na justiça o que eles fizeram para o meu filho. Que isso não fique impune", desabafa a mãe. A tragédia de Deivison se soma a outras notícias que mostram falhas graves no sistema, como casos de trabalho escravo com baixa condenação, operações policiais letais e condenações de órgãos internacionais, como a CIDH, por violações de direitos humanos.

O linchamento fatal em Ponta Grossa serve como um alerta sombrio sobre os perigos da justiça popular e da disseminação de informações não verificadas. Enquanto a família chora a perda de um jovem inocente, a sociedade é convidada a refletir sobre os limites da ação coletiva e a importância de confiar nas investigações policiais, por mais que, em alguns contextos, essa confiança seja abalada. A esperança agora é que as investigações avancem e que os responsáveis por essa tragência sejam levados à justiça, para que casos como o de Deivison não se repitam.