O mercado financeiro brasileiro mantém o otimismo em relação ao controle da inflação no próximo ano. A projeção mais recente, divulgada nesta segunda-feira (29) pelo Boletim Focus do Banco Central, aponta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2025 em 4,32%, resultado que fica abaixo do teto da meta estabelecida pelo governo.

O teto da meta de inflação para 2025 é de 4,5%, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em relação ao centro da meta, que é de 3%. Portanto, a previsão atual de 4,32% está dentro do limite superior, mas ainda acima do centro da meta. Esta é a sétima semana consecutiva em que as expectativas para a inflação caem, reflexo de um cenário de desaceleração gradual dos preços.

Para o crescimento da economia, o mercado manteve a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) avance 2,26% em 2025. O número se manteve estável em relação à semana anterior e reflete uma perspectiva de expansão moderada, após o fechamento de 2024 com alta de 3,4%, a maior desde 2021.

Publicidade
Publicidade

Um dado que chamou a atenção no relatório desta semana foi a ausência de projeções para a taxa básica de juros, a Selic. Por se tratar do último mês do ano, quando os números já estão praticamente consolidados, o Banco Central optou por não apresentar estimativas para o patamar da taxa em 2025. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.

A trajetória de alta da Selic começou em setembro de 2024, após ter chegado a 10,5% ao ano em maio do ano passado. O patamar de 15% foi alcançado na reunião de junho e mantido desde então, em uma estratégia do Banco Central para conter a inflação e ancorar as expectativas.

No front cambial, o mercado projeta que o dólar feche 2025 cotado a R$ 5,44, uma ligeira alta em relação à projeção da semana passada, que era de R$ 5,43, mas ainda abaixo da estimativa de quatro semanas atrás, que apontava para R$ 5,40. A variação mínima reflete um cenário de relativa estabilidade, apesar das pressões globais.

Olhando para os anos seguintes, as expectativas do mercado financeiro indicam uma inflação de 4,05% em 2026 e de 3,8% em 2027, mostrando uma tendência de convergência para o centro da meta ao longo do tempo. Para o PIB, as projeções são de crescimento de 1,80% tanto em 2026 quanto em 2027, indicando uma desaceleração em relação aos anos anteriores.

O cenário atual é influenciado por uma série de fatores, incluindo a expansão dos serviços e da indústria no segundo trimestre deste ano, que puxou um crescimento de 0,4% na economia brasileira. Além disso, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,46%, também dentro da meta do CMN, reforçando a percepção de que o controle de preços está no caminho certo.

Em novembro, o IPCA teve alta de 0,18%, impulsionado principalmente pelo aumento no preço das passagens aéreas, enquanto em outubro o índice havia ficado em 0,09%. Esses números mostram que, apesar de algumas pressões pontuais, a trajetória geral é de desaceleração, o que justifica as projeções otimistas do mercado para os próximos anos.