Os Ministérios das Mulheres e do Esporte se posicionaram com veemência contra as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a eliminação do time nas quartas de final do Campeonato Paulista. Em nota conjunta, as pastas repudiaram os comentários machistas dirigidos à árbitra Daiane Muniz, que apitou a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), e manifestaram solidariedade à profissional.
O Bragantino perdeu por 2 a 1, e, após o jogo, o defensor afirmou que uma mulher não deveria apitar um jogo envolvendo grandes times, alegando que sua equipe foi prejudicada pela arbitragem. As declarações rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais e na imprensa, reacendendo o debate sobre machismo no futebol brasileiro.
"Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado", destacou a nota dos ministérios. O texto reforça que o respeito às mulheres é inegociável e que elas devem estar onde quiserem, seja no campo, na arbitragem, na gestão ou na imprensa.
As pastas ainda afirmaram que seguirão firmes na promoção da igualdade e no enfrentamento de qualquer forma de discriminação no esporte, acompanhando os desdobramentos do caso na Justiça Desportiva. O episódio ocorre em um contexto de aumento nas buscas na internet sobre o termo "machismo no Brasil", que cresceram 263%, e de investigações da Federação Paulista sobre relatos de machismo no estadual feminino.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) também se manifestou, classificando as declarações do atleta como "primitivas, machistas, preconceituosas e misóginas". Em nota publicada em seu site, a entidade afirmou que recebeu a entrevista com profunda indignação e que é "absolutamente estarrecedor" questionar a capacidade de um árbitro com base no gênero.
"A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça", ressaltou a instituição, que destacou o apoio a Daiane Muniz, descrita como uma árbitra "da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter". A federação informou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para as providências cabíveis.
Em resposta à pressão, o Red Bull Bragantino publicou um pedido de desculpas em seu site, reforçando que não compactua com a fala machista do zagueiro. O clube relatou que, ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo Diego Cerri se dirigiram ao vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente à árbitra.
"Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta", afirmou a nota do Bragantino.
Nas suas redes sociais, Gustavo Marques também se desculpou, alegando que estava com a "cabeça quente" e muito frustrado com o resultado. "Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres e em especial a Daiane, o que já fiz pessoalmente no estádio. Reconheço meu erro e a infelicidade da minha declaração", escreveu o jogador, que prometeu aprender com o episódio.
O caso expõe desafios persistentes na luta por igualdade de gênero no esporte nacional, mesmo com avanços na inclusão de mulheres em posições de arbitragem e gestão. A rápida mobilização de instituições como os ministérios e a FPF reflete uma postura mais firme contra discursos discriminatórios, enquanto a reação do clube e do atleta mostra a pressão social por responsabilização e mudança de comportamento.

