O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço no estado de São Paulo aumentou 35,5% no primeiro bimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados, reunidos pela Agência Brasil nesta quarta-feira (1º), mostram que as vítimas saltaram de 76 para 103 entre janeiro e fevereiro deste ano.

As informações foram extraídas do relatório dinâmico divulgado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do MPSP é responsável por compilar os dados das mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP). As polícias Civil e Militar repassam as informações diretamente à promotoria, seguindo determinações legais e resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).

"Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos", afirmou o advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.

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O cenário atual representa uma reversão preocupante na trajetória observada nos anos anteriores. Entre 2019 e 2022, durante o governo anterior, o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço caiu drasticamente de 720 para 262 registros, uma redução de 63,6% segundo os dados do Ministério Público.

No entanto, desde que Tarcísio de Freitas assumiu o governo do estado em 2023, os números voltaram a subir. No primeiro ano de sua gestão, 357 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço, um acréscimo de 95 vítimas em relação a 2022. Em 2024, o salto foi ainda mais expressivo: 653 registros, representando alta de 83% em relação ao ano anterior. Em 2025, novo aumento elevou os registros para 703 mortos.

"Esse levantamento reforça a compreensão de que tivemos na gestão do atual do governo de São Paulo uma escalada da violência policial, frustrando avanços no controle e redução da violência e letalidade das ações policiais nos governos anteriores", disse Ariel de Castro Alves. O advogado classifica a situação como um enorme retrocesso na garantia dos direitos humanos no estado.

Embora seja apresentada como forma de combate à criminalidade, Ariel acrescenta que a violência do estado se traduz, na prática, em um fator de insegurança pública. "Durante toda a gestão, o governador e o [então] secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, se omitiram ou desdenharam diante das denúncias e casos de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia. O resultado só podia ser essa escalada de violência policial no estado."

O advogado destacou ainda que a violência policial atinge principalmente jovens pobres e negros dos bairros periféricos. "A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio."