A humanidade vive sob o chicote de Chronos, o deus grego que representa o relógio, os prazos e a pressa que devora a existência. A ansiedade nada mais é do que o excesso de "tempo do relógio" nas veias humanas. O antídoto para isso é o que os gregos chamavam de Kairós: aquele instante em que o mundo para, a preocupação desaparece e a vida simplesmente acontece.

 

O SONO QUE NÃO DESCANSA

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Sabe aquele executivo bem-sucedido ou o campeão de vendas, que fumam seis maços de cigarros por dia? É comum observar os humanos tentando fugir da pressão do mundo material através de tranquilizantes, álcool ou substâncias sintéticas. Trata-se de um nocaute químico. O corpo apaga, mas a mente permanece algemada ao relógio. 

 

Sem atingir o sono profundo e natural — o portal do Kairós —, o indivíduo acorda exausto. Houve inconsciência, mas não descanso, pois não houve libertação do peso do amanhã. É uma tentativa paradoxal de combater os efeitos do tempo ingerindo mais veneno temporal, remediar Chronos com mais Chronos.

 

A LIÇÃO DOS PÁSSAROS NO FIO

A ciência física explica que o pássaro não recebe a descarga elétrica no fio de alta tensão por uma questão de potencial. Mas há uma explicação além da matéria: o pássaro habita o Kairós absoluto. Ele não projeta o perigo, não antecipa a dor e não oferece resistência ao fluxo da energia.

 

Os seres humanos, ao contrário, "tomam o choque" da vida porque suas mentes já estão fritando no futuro antes mesmo de o problema se materializar. O pássaro não vira cinzas porque ignora o tempo da preocupação; ao ignorar o medo, o perigo perde o poder sobre ele.

 

MORRER DE VÉSPERA

O ser humano demonstra ser a única criatura capaz de morrer de véspera. Ele SABE que vai morrer e morre por antecipação. Em uma queda livre, é possível que um homem sofra um ataque cardíaco antes mesmo de tocar o solo. O coração para porque a mente já consumou o impacto final. Enquanto o restante da natureza luta pelo presente até o último suspiro, a humanidade se desintegra na voltagem de suas próprias projeções mentais.

 

O MESTRE QUE HABITA O LAR

A saída para esse bombardeio mental humano muitas vezes reside na sabedoria do animal de estimação. Eles são mestres natos do tempo presente. Não precisam de pílulas para silenciar o mundo; simplesmente habitam o "agora". O contato com um pet acalma o pulso humano e o retira da queda livre mental. 

Os animais emanam uma frequência de paz que cura aqueles que se permitem observar. Bichos nunca foram contaminados pelo relógio ou o calendário, por isso vivem em paz, até que alguém resolva adestrá-los.

A cura para a alma humana cansada não está na química que apaga a consciência, mas na percepção que a desperta. É preciso aprender com os pássaros a "pousar no fio" da existência sem ser torrado pela ansiedade.

O segredo reside na coragem de soltar o relógio e mergulhar no momento — algo que pode ocorrer até em uma simples soneca após o almoço, desde que se exercite o desapego de quem apenas observa a engrenagem do mundo girar. E são observadores peludos, de quatro patas, mestres da meditação, bem aí na sua casa!