O papa Leão XIV celebrou sua primeira missa neste domingo, marcando o início de seu pontificado com um forte apelo pela paz mundial. Diante de cerca de 40 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro, durante a tradicional oração do Angelus, o pontífice fez um chamado urgente para o fim dos conflitos que assolam diversas regiões do planeta.
Em seu discurso, Leão XIV destacou a importância de renovar o compromisso com a paz a cada novo ciclo temporal. "À medida que o ritmo dos meses se repete, o Senhor convida-nos a renovar o nosso tempo, inaugurando por fim uma era de paz e amizade entre todos os povos. Sem este desejo de bem, não faria sentido virar as páginas do calendário nem preencher as nossas agendas", afirmou o líder da Igreja Católica.
O apelo do papa foi particularmente direcionado às "nações ensanguentadas por conflitos e miséria", expressão que utilizou para descrever regiões em guerra ou em situações de extrema violência. No entanto, sua mensagem também abrangeu dimensões mais próximas da experiência cotidiana dos fiéis: "Rezemos todos juntos pela paz. Antes de tudo, pela paz entre as nações ensanguentadas por conflitos e miséria, mas também pela paz nos nossos lares, nas famílias feridas pela violência e pela dor".
Leão XIV fundamentou seu chamado na fé cristã, apresentando Cristo como "a nossa esperança" e "o sol da justiça que jamais se põe". O pontífice também invocou a intercessão de Maria, a quem se referiu como "Mãe de Deus e Mãe da Igreja", pedindo que os fiéis confiassem em sua mediação para alcançar a paz tão desejada.
Durante a celebração, o papa fez uma conexão significativa com a data de 1º de janeiro, que desde 1968 é reconhecida pela Igreja Católica como o Dia Mundial da Paz. Ao mencionar esta comemoração, Leão XIV reforçou o caráter universal de seu apelo e a continuidade do compromisso da Igreja com essa causa fundamental.
O pontífice também revisitou suas primeiras palavras como líder da Igreja, repetindo a saudação que proferiu ao ser eleito: "A paz esteja com todos vocês". Com essa frase, convidou os cristãos a iniciarem o novo ano com um compromisso concreto: "desarmando corações, rejeitando toda forma de violência e manifestando apreço por iniciativas de promoção da paz em todo o mundo".
Em um momento especialmente simbólico de sua fala, Leão XIV recordou o oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, santo conhecido por seu profundo compromisso com a paz e a reconciliação. A referência ao fundador da ordem franciscana reforçou a dimensão histórica e espiritual do apelo pela paz, conectando o presente com uma tradição de mais de oito séculos dentro do cristianismo.
A celebração terminou com a bênção papal concedida ao mundo, gesto que tradicionalmente marca o encerramento das grandes celebrações na Praça São Pedro. A multidão de fiéis, que lotou a praça desde as primeiras horas da manhã, acompanhou atentamente cada palavra do novo pontífice, demonstrando com aplausos e cantos sua adesão ao chamado pela paz.
O apelo de Leão XIV ocorre em um contexto internacional marcado por diversos conflitos armados, tensões geopolíticas e crises humanitárias que afetam milhões de pessoas em diferentes continentes. Sua mensagem ecoa preocupações expressas recentemente por outras lideranças religiosas, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que em comunicado recente defendeu a democracia e alertou para "graves retrocessos" no cenário brasileiro.
Analistas observam que este primeiro grande discurso do papa Leão XIV estabelece as linhas gerais de seu pontificado, indicando que a promoção da paz será uma de suas prioridades pastorais. A referência a São Francisco de Assis sugere ainda uma possível ênfase no cuidado com a criação e na reconciliação entre os povos, temas caros ao santo italiano.
Para os fiéis presentes na Praça São Pedro e para os milhões que acompanharam a celebração por meios de comunicação em todo o mundo, a mensagem do papa representou um momento de esperança e renovado compromisso com valores fundamentais da fé cristã. Muitos deixaram a praça com a determinação de levar para suas comunidades e famílias o apelo por uma cultura de paz e reconciliação.

