A Petrobras e os parceiros do Consórcio de Libra vão investir cerca de US$ 450 milhões, o equivalente a R$ 2,2 bilhões conforme o conversor de moedas do Banco Central, em um projeto que a petroleira classifica como o "mais extenso" de monitoramento sísmico do mundo. A iniciativa, que já está em andamento, tem como objetivo principal monitorar o comportamento do reservatório do campo de Mero, localizado na Bacia de Santos, uma das áreas mais produtivas do pré-sal brasileiro.
Segundo a empresa, a tecnologia funciona como uma espécie de ultrassom do subsolo marinho. Ela permite identificar estruturas geológicas e o movimento de fluidos como óleo, gás e água. "O projeto inédito em águas profundas trará dados que permitirão uma compreensão aprofundada do comportamento do reservatório e sua dinâmica ao longo do tempo. Isso permitirá um melhor gerenciamento, garantindo a máxima recuperação de petróleo dos reservatórios", informou a Petrobras em nota oficial.
O sistema será responsável pelo monitoramento das atividades de produção nos FPSOs Guanabara (Mero 1) e Sepetiba (Mero 2). Os FPSOs são unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência. A previsão é que os primeiros dados sejam coletados no segundo trimestre de 2026. "Mero é um dos principais campos produtores de petróleo do Brasil e está em fase de implantação dos projetos e expansão da produção", afirmou a empresa, destacando que em janeiro de 2026 a produção ultrapassou os 680 mil barris por dia na média mensal, "reforçando sua relevância no cenário nacional".
A infraestrutura submarina é composta por uma rede de sensores e instrumentos ópticos instalados no leito marinho, uma tecnologia conhecida como Sistema de Monitoramento de Reservatórios Permanente (PRM, na sigla em inglês). "Ao otimizar o gerenciamento dos campos, a tecnologia maximiza a produção de óleo sem aumento relevante de emissões, contribuindo assim para redução da pegada de carbono", explicou a Petrobras.
A primeira fase do projeto, que corresponde à instalação de mais de 460 km de cabos com sensores ópticos, cobrindo uma área de 222 km², foi concluída em março deste ano. Já a segunda fase, que está em construção, prevê a instalação de mais 316 km de cabos sismográficos, cobrindo outros 140 km² nas áreas de produção dos FPSOs Duque de Caxias (Mero 3) e Alexandre de Gusmão (Mero 4). "Essa etapa será concluída no ano que vem", disse a companhia.
Os dados coletados serão inicialmente recebidos pelos computadores a bordo das plataformas, mas a tendência é que, com o avanço do projeto, sejam enviados por fibra óptica diretamente para a sede da Petrobras. Além disso, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a empresa utilizará Inteligência Artificial para processar as informações capturadas continuamente pelo sistema PRM na área de Mero, "contribuindo com a pesquisa científica e segurança operacional do campo".
O campo de Mero está localizado no Bloco de Libra, pertencente ao consórcio de mesmo nome, e é operado pela Petrobras em parceria com a Shell Brasil Petróleo Ltda., Total Energies EP Brasil Ltda., CNPC, CNOOC Petroleum Brasil Ltda. e Pré-Sal Petróleo S.A. – PPSA, que atua como gestora do Contrato de Partilha de Produção e representa a União na área adjacente ao campo.

