O abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo recebeu um importante reforço nesta segunda-feira (01) com a entrega antecipada pela Sabesp do bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, até o Sistema Alto Tietê. A integração, que estava prevista inicialmente para junho de 2025, representa um aumento de 17% na capacidade do reservatório e beneficia cerca de 22 milhões de pessoas em um ano marcado pelas piores médias de chuvas da última década.
A obra, que exigiu um investimento total de R$ 300 milhões, foi possível graças à instalação de 11 geradores de energia elétrica temporários para operar as bombas até a conclusão da rede elétrica permanente. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo, Natália Resende, destacou a importância do projeto: "Essa é uma obra muito importante para a resiliência hídrica do estado, sobretudo em épocas como a que estamos vivendo de chuvas abaixo da média histórica. Não é só o sistema Alto Tietê que a gente beneficia. São mais de 20 milhões de pessoas que ganham com uma obra dessas, que foi acelerada muito em virtude do processo de privatização que fizemos da Sabesp, com contrato mais robusto e planejamento".
O cenário hídrico atual justifica a urgência da medida. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) terminou novembro com acumulado de apenas 82,7 mm de chuva, bem abaixo da média histórica de 142,6 mm para o período. Em 2021, o mesmo mês registrou 98,8 mm. Diante dessa situação, a Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) implementou medidas como o regime de prevenção e contingência, com gestão da demanda noturna entre 19h e 5h, que já economizou 44 bilhões de litros de água desde 27 de agosto.
A nova captação funciona através de um sistema engenhoso que busca água a 60 quilômetros da capital, no ribeirão Sertãozinho - um dos formadores do rio Itapanhaú, localizado próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar. A Sabesp implantou um trajeto de 9 quilômetros que combina adutoras apoiadas no solo e um túnel de 500 metros escavado na montanha, próximo à rodovia Mogi-Bertioga. Como se trata de uma região de serra, o sistema realiza um bombeamento inicial de 98 metros de altura; depois, toda a condução da água passa a ser feita por gravidade.
Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Inovação da Sabesp, explica o contexto: "Operamos em regiões com baixa disponibilidade hídrica natural, altamente urbanizadas e densamente povoadas, como a Região Metropolitana de São Paulo, que abriga quase 22 milhões de pessoas. Esta é mais uma obra colocada em operação pela Sabesp para garantir mais água para a população, buscando fontes que antes não eram utilizadas para o abastecimento".
A operação foi cuidadosamente planejada para minimizar impactos ambientais. A água captada é apenas a parcela excedente do ribeirão Sertãozinho, garantindo que cerca de 1.000 litros por segundo continuem seguindo seu curso natural. Além disso, as adutoras foram instaladas sobre blocos de concreto, reduzindo intervenções no solo e preservando a vegetação da área de reserva.
Ao final do percurso, a vazão transferida chega à represa Biritiba-Mirim, do Sistema Alto Tietê, aumentando seu nível com a "água nova". Como o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo é interligado pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), toda a população da capital e das cidades vizinhas é beneficiada diretamente pela novidade.
Além do benefício hídrico, a obra deixou um legado importante para a mobilidade regional. Com a conclusão dos serviços, a Sabesp construiu um retorno na altura do km 79 da rodovia Mogi-Bertioga - já no final da serra -, garantindo mais segurança e fluidez para motoristas e moradores da região. Antes da intervenção, quem passava do km 69 era obrigado a seguir até a cidade de Bertioga para fazer o retorno. Agora, os usuários voltam a contar com o retorno operacional, reduzindo em 38 km o trajeto desses motoristas.
O Governo de São Paulo realizou no ano passado a desestatização da Sabesp, que vai garantir R$ 70 bilhões em melhorias no saneamento básico do estado até 2029. Esta obra antecipada no Itapanhaú representa um dos primeiros resultados concretos desse processo, demonstrando como investimentos em infraestrutura hídrica podem trazer benefícios imediatos para a população em momentos críticos de escassez.

