O sistema de tratamento de esgoto ecológico implementado nas moradias da Ilha de Eufrasina, no Litoral paranaense, ganhou destaque internacional durante a COP30 — a Conferência das Partes sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece em Belém (PA). Desenvolvido pela Portos do Paraná em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o projeto foi apresentado no painel "Explorando o impacto social das soluções climáticas", mostrando como soluções simples e sustentáveis podem transformar a vida das comunidades costeiras.

Nesta terça-feira (11), o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana, participou do painel com o tema "Porto que Cuida", onde detalhou as tecnologias alternativas de saneamento. Entre elas, estão o reator biológico com minhocas (vermifiltro) e o uso de plantas na filtragem de efluentes domésticos, técnicas baseadas na permacultura. Santana explicou: "Tratamos a qualidade da água com sistemas alternativos, focados nas técnicas da permacultura, e depois levamos capacitações aos moradores para a produção de mariscos e ostras". Essa abordagem não só melhora o saneamento básico, mas também fortalece a economia local, gerando renda para os habitantes da ilha.

Além do sistema de esgoto, a participação da empresa na COP30 incluiu a apresentação do inventário da Pegada de Carbono dos portos paranaenses, desenvolvido pela Fundación Valenciaport. O documento, entregue este ano, mapeia as emissões de gases de efeito estufa e serve como base para o plano de descarbonização que será lançado no primeiro trimestre de 2025. Santana afirmou: "Estamos finalizando o plano de descarbonização e, provavelmente, vamos lançá-lo no primeiro trimestre do ano que vem. Haverá divulgação para toda a comunidade portuária, para somar conosco na descarbonização do cais". A iniciativa visa reduzir a poluição nas áreas portuárias, alinhando-se às metas globais de combate às mudanças climáticas.

Publicidade
Publicidade

No mesmo dia, Santana participou do 5º Fórum Planeta Campo, organizado pelo Canal Rural, onde destacou os esforços da Portos do Paraná em capacitações para soluções sustentáveis. Ele ressaltou sua própria evolução: "A Portos do Paraná realizou recentemente uma capacitação de sua equipe, da qual eu faço parte. É minha sexta COP, mas a primeira como especialista em combustíveis alternativos da cadeia naval, o que mudou minha visão". Esses treinamentos são parte de uma estratégia mais ampla para modernizar as operações portuárias com foco em sustentabilidade.

Outro ponto abordado foi a prioridade de atracação para navios sustentáveis nos portos paranaenses, medida anunciada em 2024 que beneficia embarcações com matrizes energéticas que reduzem emissões. Santana enfatizou o potencial do etanol como alternativa viável: "Fala-se muito em hidrogênio, que ainda não é viável; em GNL, que é um gás de origem fóssil; em metanol e em amônia. Porém, queremos levantar a bandeira, dentro do Brasil, do etanol". Ele justificou que a alta produtividade brasileira de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, torna essa opção rentável e sustentável, alinhando-se ao conceito de carbono neutro "do poço à esteira do navio".

Nesta quarta-feira (12), a Portos do Paraná continua sua agenda na COP30 com participação no painel "Ação climática urbana e cidades sustentáveis" e no lançamento dos selos do Pacto pela Sustentabilidade, iniciativa do Ministério dos Portos e Aeroportos. O pacto busca incentivar práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) em empresas de infraestrutura, operação portuária, aeroportuária e de navegação. A empresa será homenageada com um selo durante o evento, reconhecendo seus avanços em sustentabilidade.

A presença da Portos do Paraná na COP30, pela sexta vez consecutiva, reforça o compromisso da empresa com a inovação e a responsabilidade ambiental. Projetos como o da Ilha de Eufrasina demonstram que é possível conciliar desenvolvimento econômico com preservação ecológica, servindo de modelo para outras regiões costeiras. Com o plano de descarbonização em andamento e o foco em combustíveis renováveis, a empresa se posiciona na vanguarda da transição para uma economia de baixo carbono no setor portuário brasileiro.