A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, conheceu nesta terça-feira (27) a usina de produção de biometano instalada no maior aterro sanitário da América Latina, localizado em Caieiras, na região metropolitana da capital paulista. A visita técnica reuniu também representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), em um movimento que busca alinhar políticas públicas, regulação e inovação tecnológica no setor de gestão de resíduos.
Durante o encontro, a secretária recebeu uma placa simbólica referente à compensação de créditos de carbono realizados pela Solví, empresa que administra a unidade, durante o Summit Agenda SP + Verde. O evento, realizado entre 4 e 5 de novembro de 2025 como preparação para a Conferência das Partes (COP), teve suas emissões de gases de efeito estufa totalmente neutralizadas por meio de créditos gerados justamente no aterro de Caieiras.
A iniciativa permitiu a compensação de 284 toneladas de CO₂ (dióxido de carbono), cobrindo as emissões decorrentes da infraestrutura do evento, consumo de energia, geração de resíduos e deslocamento do público. Cada crédito de carbono equivale a uma tonelada métrica de CO₂ que deixou de ser emitida na atmosfera, demonstrando na prática como a transformação de resíduos em energia pode contribuir para a descarbonização da economia.
"Essa compensação mostra como o Summit Agenda SP + Verde foi um evento comprometido com o meio ambiente e com a gestão de resíduos, reduzindo as emissões de CO₂ da atmosfera, ao unir inovação e práticas sustentáveis. É possível avançar para uma economia verde sem abrir mão do desenvolvimento", afirmou a secretária Natália Resende.
O aterro sanitário de Caieiras opera desde 2006 convertendo o biogás proveniente da decomposição dos resíduos em energia limpa e biometano. Esse processo evita a liberação de metano na atmosfera - gás com potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o do CO₂. Ao longo desses anos, a unidade já certificou impressionantes 9,6 milhões de créditos de carbono, consolidando-se como referência nacional na transformação de passivos ambientais em ativos energéticos.
Durante a visita, os participantes conheceram todo o processo operacional do aterro, desde o aproveitamento energético do biogás até a produção de biometano. Também foram apresentados dados sobre o monitoramento ambiental e hidrogeológico adotados na usina, oficialmente denominada Unidade de Valorização Sustentável (UVS). A unidade opera com alta tecnologia, gerando energia a partir do biogás, tratando chorume - líquido escuro e de forte odor resultante da decomposição da matéria orgânica - realizando logística reversa e recuperação de solos.
Diego Nicoletti, diretor de operações da Solví, destacou a importância da articulação entre diferentes setores: "Encontros como este são fundamentais para fortalecer o diálogo entre governos, entidades de classe e a iniciativa privada, especialmente em um setor tão estratégico quanto o de gestão de resíduos. A agenda climática exige cooperação, alinhamento regulatório e incentivos públicos que viabilizem investimentos em tecnologia, inovação e soluções sustentáveis".
A usina de biometano de Caieiras, inaugurada em novembro de 2024, é fruto de uma parceria entre a MDC Energia e a Solví Ambiental. A planta tem capacidade instalada para produzir aproximadamente 70 mil metros cúbicos por dia de biometano e recebe cerca de 10,5 mil toneladas diárias de resíduos, principalmente de municípios da Grande São Paulo.
André Galvão, superintendente executivo da Abrema, reforçou o potencial transformador do setor: "Entendemos o setor de resíduos como um celeiro de soluções ambientais e climáticas. Aqui vemos, na prática, a transformação dos resíduos em biocombustíveis, biometano e outros subprodutos, mostrando que é possível valorizar o que antes era considerado apenas lixo".
A diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Larissa Rêgo, também participou da visita e destacou a importância da integração entre os diferentes atores do saneamento básico: "É por meio de um trabalho conjunto e planejado que conseguiremos alcançar resultados positivos e duradouros. Essa integração entre os entes públicos e o setor privado é essencial, pois cada um tem seu papel e sua relevância".
A visita técnica serviu não apenas para demonstrar o funcionamento da usina, mas também para promover um diálogo sobre os desafios regulatórios, institucionais e de infraestrutura relacionados à gestão de resíduos. O aproveitamento energético do biogás e as possibilidades de avanço na produção de biometano são temas diretamente relacionados às atribuições da ANA e à estratégia de transição energética do Estado de São Paulo, que busca ampliar significativamente a oferta de biometano nos próximos anos.

