O Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento da Grande São Paulo, continuará operando na Faixa 4 de Restrição, mantendo o atual nível de captação da Sabesp em até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s). A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (31) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), após análise do volume do sistema.

A manutenção da faixa de restrição foi possível graças à preservação do volume do Cantareira, mesmo diante de um cenário desafiador: chuvas abaixo da média histórica e um aumento de aproximadamente 60% no consumo de água devido às ondas de calor intenso que atingiram a região. O sistema registrava nesta quarta-feira 20,18% de seu volume útil, apresentando uma leve queda em relação aos 20,99% do dia anterior. Como o volume permaneceu acima do limite crítico de 20%, a operação em janeiro de 2026 seguirá na mesma faixa.

Desde agosto, o Governo de São Paulo tem mobilizado esforços para preservar os mananciais da Região Metropolitana. Por determinação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) – que abrange sete mananciais da região – opera com gestão da demanda no período noturno, das 19h às 5h. Essa medida, que completa 10 horas diárias, tem como objetivo principal preservar os reservatórios. Os resultados já são palpáveis: desde sua implantação, a redução da pressão noturna economizou impressionantes 57 bilhões de litros de água.

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Para engajar a população nesse esforço coletivo, o Governo de São Paulo apresentou em 24 de outubro uma metodologia avançada de gestão hídrica. O plano inclui uma curva projetada até setembro de 2026, com faixas de atuação bem definidas e ações específicas para cada situação. A iniciativa busca garantir planejamento, previsibilidade e transparência no manejo dos recursos hídricos, elementos cruciais para enfrentar períodos de escassez.

Paralelamente, o governo acompanha junto à Sabesp a implementação de medidas estruturais importantes. Entre elas estão a antecipação de obras estratégicas que aumentam a resiliência do sistema, manobras operacionais entre diferentes sistemas de abastecimento, a distribuição de caixas d'água para populações vulneráveis e o reforço no atendimento a situações de emergência, com equipes de manutenção ampliadas e maior disponibilidade de caminhões-pipa.

Um exemplo concreto desse trabalho foi a entrega antecipada – em seis meses – do bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, para o Sistema Alto Tietê. Essa integração representa um aumento de 17% na disponibilidade de água no reservatório, beneficiando aproximadamente 22 milhões de pessoas na região metropolitana. O investimento total nessa obra foi de R$ 300 milhões, um recurso que se mostra especialmente valioso em um ano que registrou as piores médias de chuvas da última década.

A gestão do Sistema Cantareira é realizada de forma compartilhada pela ANA e pela SP Águas, que monitoram diariamente dados de níveis, vazões e armazenamento para embasar decisões operacionais. A permanência na Faixa de Restrição segue critérios estabelecidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017, norma elaborada após a grave crise hídrica de 2014/2015. A resolução define limites de retirada de água conforme o volume acumulado no sistema, proporcionando maior previsibilidade e segurança hídrica não apenas para a Região Metropolitana de São Paulo, mas também para as Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

Vale lembrar que em 29 de agosto as agências já haviam reduzido o volume de captação do Cantareira de 31 m³/s para 27 m³/s, medida que também visava a preservação do manancial. Apesar da manutenção do volume anunciada nesta quarta-feira, tanto o Governo de São Paulo quanto as agências reguladoras reforçam a importância contínua da economia de água pela população. O apelo ao uso consciente segue sendo essencial, complementado pelas medidas operacionais de gestão da demanda que permanecem em vigor.

O cenário atual exige atenção constante: enquanto as obras de infraestrutura avançam e as medidas operacionais mostram resultados, a colaboração de cada cidadão no consumo responsável de água continua sendo peça fundamental para garantir a segurança hídrica de milhões de paulistas.