O Carnaval brasileiro vive uma fase de expansão e reposicionamento na indústria do entretenimento. Rio de Janeiro e São Paulo, cada um à sua maneira, consolidaram modelos que unem cultura popular, mercado musical, turismo e economia criativa. Mais do que festas, seus carnavais se tornaram plataformas de lançamento artístico e termômetros da vitalidade do samba.

São Paulo transformou o Carnaval em uma engrenagem cultural que pulsa tanto na espontaneidade das ruas quanto na grandiosidade do Sambódromo do Anhembi. O Carnaval de Rua paulistano virou fenômeno de massa. Milhões ocupam avenidas e bairros ao som de blocos que transitam entre samba, pagode, axé e fusões com pop. É um Carnaval conectado às redes sociais e à lógica dos festivais: participações surpresa, repertórios híbridos e forte apelo digital.

Vou dar dois exemplos: na Penha, o Bloco Cacique Social Clube une festa e impacto social. De cunho beneficente, mistura partido alto e sambas-enredo, refletindo a vivência de seus integrantes — muitos compositores atuantes em São Paulo e no Rio. A proposta aproxima o folião da essência criativa do samba-enredo. O Quintal dos Prettos, ao estrear no circuito do Ibirapuera, simboliza o diálogo entre samba de raiz e novas gerações.

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No Anhembi, o espetáculo é narrativa musical. O samba-enredo segue como uma das construções mais sofisticadas da canção popular brasileira. O desafio está na renovação de componentes. Desfilar exige compromisso anual, disciplina e vínculo comunitário — algo que disputa espaço com a lógica imediatista do entretenimento, regida pelos algoritmos.