O programa Eco Invest Brasil encerra o ano de 2025 com mais de R$ 14 bilhões em financiamentos contratados para projetos sustentáveis, consolidando-se como a maior iniciativa de finanças verdes do país e um dos principais instrumentos globais de financiamento da transição ecológica. A informação foi confirmada pelo Tesouro Nacional, que coordena a iniciativa liderada pelo Governo Federal.
Os recursos de R$ 14 bilhões foram captados no primeiro leilão do programa, realizado em outubro de 2024. Desse total, mais da metade já está destinada a projetos de transição energética, com ênfase na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e de combustíveis renováveis. O primeiro leilão financiou 14 empreendimentos distribuídos pelos eixos de economia circular, infraestrutura verde, adaptação climática, bioeconomia e energia limpa.
Coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil. Em apenas um ano de operação, o programa realizou três leilões com inovações financeiras consideradas inéditas no mercado nacional. Uma das principais inovações foi a introdução do hedge (proteção) cambial, mecanismo que reduziu riscos para investidores e ampliou significativamente a participação de capital estrangeiro.
Capital misto como estratégia central
O principal instrumento do Eco Invest Brasil é a combinação de recursos públicos e privados num modelo de financiamento misto (blended finance). Através do capital catalítico, o governo e instituições financeiras privadas aportam recursos com características filantrópicas e maior tolerância a riscos de mercado. Esse sistema considera não apenas o retorno financeiro convencional, mas também o retorno social dos projetos, permitindo alavancar investimentos que talvez não fossem viáveis em condições tradicionais.
Em nota oficial, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o Eco Invest reposicionou o Brasil no centro das decisões globais sobre financiamento climático. "O programa mostrou que o país tem escala, projetos e capacidade institucional para transformar capital em impacto real", destacou Ceron.
Projetos em saneamento e energia limpa
Na área de economia circular, cinco projetos concentram investimentos estimados em R$ 2,7 bilhões, com foco na ampliação da coleta e tratamento de esgoto. Essas iniciativas têm potencial de impactar positivamente mais de 2 milhões de pessoas nas Regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
No eixo de transição energética, os investimentos superam R$ 7 bilhões, impulsionando a descarbonização da economia. Entre os projetos financiados está a construção de uma biorrefinaria no interior da Bahia, com capacidade para produzir mais de 20 mil barris de óleo vegetal destinados à produção de SAF e diesel renovável, compatíveis com a frota aérea atual.
O programa também passou a financiar projetos de adaptação climática, incluindo a modernização da infraestrutura elétrica em estados como Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A iniciativa prevê o aterramento de linhas vulneráveis a eventos extremos, como chuvas intensas e ventos fortes, para reduzir interrupções no fornecimento de energia.
Leilões ampliam alcance do programa
No início de 2025, o segundo leilão do Eco Invest foi voltado à recuperação de terras degradadas. Em parceria com o Ministério da Agricultura, a iniciativa mobilizou R$ 31,4 bilhões para restaurar 1,4 milhão de hectares em todos os biomas brasileiros, com destaque para o Cerrado.
No segundo semestre, outros dois leilões foram lançados. O terceiro leilão teve foco na atração de investimentos de participação societária (equity) para startups e empresas em expansão ligadas à economia verde. Já a quarta edição, anunciada durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), prioriza projetos de bioeconomia e turismo sustentável, especialmente na Região Amazônica. Ambos os leilões seguem abertos, com recebimento de propostas até janeiro e fevereiro de 2026.
Transparência e projeção internacional
Ao considerar os três leilões realizados até agora, o Eco Invest levantou mais de R$ 75 bilhões em capitais, dos quais R$ 46 bilhões foram captados no exterior. Segundo o Tesouro Nacional, esse volume reforça a confiança internacional no mecanismo. Atualmente, o programa conta com 12 bancos credenciados, entre instituições públicas e privadas.
Durante a COP30, o Tesouro Nacional lançou o Monitor Eco Invest Brasil, plataforma pública que reúne dados sobre todos os projetos financiados, incluindo localização, volume de recursos e estágio de execução. A ferramenta busca garantir transparência e permitir o acompanhamento social das iniciativas.
Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, o Eco Invest Brasil segue como uma das principais apostas do país para acelerar a transição ecológica e ampliar o financiamento sustentável nos próximos anos. O Tesouro Nacional já sinaliza a previsão de novos leilões para 2026, mantendo o ritmo de expansão do que se tornou referência em finanças verdes no cenário global.

