Os moradores de Praia Grande e São Vicente, na Baixada Santista, vão ganhar um importante reforço no abastecimento de água com a conclusão da Estação de Tratamento de Água (ETA) Melvi. O investimento de R$ 150 milhões realizado pela Sabesp vai impactar diretamente 650 mil pessoas nas duas cidades e faz parte de um planejamento mais amplo que prevê R$ 7,5 bilhões em melhorias para água e esgoto na região até 2029.

As obras da ETA Melvi, que tem previsão de conclusão para 2027, foram aceleradas após a privatização da companhia realizada pelo Governo de São Paulo em 2024. A estação representa um marco no saneamento da Baixada Santista, uma região que historicamente enfrenta desafios no abastecimento regular de água.

"É uma estação muito importante em Praia Grande, que vai ajudar a cidade e a Baixada como um todo. Vamos melhorar uma estação de tratamento que visa dar segurança hídrica por meio de cinco captações na serra que chegam aqui e vão ganhar mais qualidade e estabilidade para o povo ter água na torneira", afirmou a secretária do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, durante visita às obras neste mês.

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Atualmente, Praia Grande e a parte continental de São Vicente são abastecidas pela água captada em cinco estações: Guariúma, Serraria, Soldado, Lambari e Laranjal. Essa água é considerada superficial e, durante períodos de chuva, costuma trazer materiais indesejados como galhos e outros resíduos, o que dificulta o tratamento e a disponibilização para a população.

Com a nova ETA Melvi, esse recurso hídrico passará a ser tratado em maior quantidade e com qualidade superior. O equipamento trará mais estabilidade na oferta de água para a população da Baixada Santista e reduzirá significativamente o risco de desabastecimento, especialmente nos períodos de maior demanda.

Uma característica interessante da obra é sua construção modular. As partes da estação foram fabricadas em blocos em Santa Catarina e estão sendo montadas no local. Esse modelo foi escolhido principalmente devido à baixa disponibilidade de espaço, já que a ETA Melvi fica próxima ao Parque Estadual da Serra do Mar.

Essa abordagem traz várias vantagens: reduz o tempo de construção, permite adaptações mais flexíveis ao longo do tempo, gera menos resíduos no canteiro de obras e diminui a exposição das etapas de montagem às variáveis climáticas.

Para garantir mais segurança hídrica à população, a ETA Melvi inclui todas as etapas necessárias do tratamento de água, desde a captação e gradeamento até a desinfecção final que torna a água potável e segura para consumo.

Os investimentos na Baixada Santista não param por aí. A Sabesp já aplicou cerca de R$ 2 bilhões para transformar a estrutura do Sistema de Abastecimento na região. Desde novembro de 2025, foram aportados quase R$ 600 mil principalmente em obras de universalização em áreas informais, com cerca de 50% deste valor destinado a áreas vulneráveis de São Vicente, Mongaguá, Peruíbe, Itanhaém, Bertioga e Guarujá, beneficiando aproximadamente 214 mil famílias.

O projeto faz parte de um esforço maior que inclui outras obras importantes, como a ETA Mambu-Branco, que vai quadruplicar a capacidade de reservação de água na Baixada Santista. Juntas, essas iniciativas representam um avanço significativo no saneamento básico de uma das regiões mais populosas do litoral paulista.