O ministro do Turismo, Celso Sabino, utilizou o termo "síndrome de vira-lata" para rebater as críticas à organização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, no Pará. Em declarações nesta segunda-feira (17), durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ele afirmou que há uma tendência de valorizar o que vem de fora e menosprezar iniciativas nacionais.

"Tudo deve funcionar lá fora, tudo é bom lá fora, tudo o que presta tem que ser lá fora. Quando é aqui dentro, a gente tem que ficar criticando e encontrando defeito. O fato é que essa COP, inclusive, está melhor que as COPs anteriores", criticou Sabino, em entrevista a emissoras de rádio. A expressão "síndrome de vira-lata" foi cunhada pelo escritor Nelson Rodrigues para descrever um complexo de inferioridade que leva brasileiros a supervalorizar o estrangeiro.

O ministro destacou que as obras de infraestrutura para o evento foram entregues dentro do prazo e que houve uma redução significativa nos preços de hospedagem em Belém, o que, segundo ele, contraria as avaliações negativas. Ele enfatizou que a escolha da cidade para sediar a COP30 é simbólica, por estar localizada na porta da Amazônia, a maior floresta tropical do planeta.

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"Pela primeira vez, a gente está fazendo uma COP numa grande floresta tropical. A cidade de Belém fica na porta da principal floresta tropical do planeta e, por essa razão, possui peculiaridades, características inerentes, relativas à floresta tropical, como a temperatura, a umidade e o baixo desenvolvimento ainda", ressaltou Sabino. Ele argumentou que essas condições tornam o local ideal para discutir os desafios climáticos, já que a preservação das florestas depende de oferecer alternativas de desenvolvimento às populações locais.

"E é exatamente esse o desafio que o mundo precisa enfrentar. Para manter as florestas em pé, nós precisamos garantir às pessoas que vivem na floresta perspectivas de desenvolvimento financeiro, econômico, intelectual e político", defendeu o ministro. A fala de Sabino ecoa discussões mais amplas sobre como conciliar conservação ambiental com progresso social, tema central em negociações climáticas globais.

Enquanto isso, notícias relacionadas apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a COP30 não seria viável sem a participação da Cúpula dos Povos, um espaço paralelo que reúne movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Além disso, o embaixador Côrrea do Lago prometeu levar as demandas da Cúpula dos Povos para as mesas de negociação oficiais da COP30, indicando um esforço para integrar vozes diversas no debate.

Especialistas têm avaliado os impasses e avanços nas tratativas da conferência, que deve reunir líderes mundiais, cientistas e ativistas para discutir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e financiamento climático. A COP30 ocorre em um momento crítico, com relatórios recentes alertando para a aceleração das mudanças climáticas e a necessidade de ações urgentes.

O uso da expressão "síndrome de vira-lata" por Sabino já gerou reações nas redes sociais e na mídia, com alguns apoiando a defesa da capacidade nacional e outros criticando a analogia como uma forma de desqualificar opiniões contrárias. Independentemente das polêmicas, a preparação para a COP30 continua, com expectativas de que o evento coloque o Brasil no centro das discussões ambientais globais e promova soluções práticas para a crise climática.