CAMPINAS/SP – A distância física não impede a visão do descaso. Eu moro na região de Bauru, a quase 300 km de Campinas, sou Jornalista há quarenta anos e é impossível ignorar o que as lentes das emissoras locais se recusam a focar. O mutirão de castração que se inicia hoje no Bosque dos Guarantãs não é apenas um evento local; é o termômetro de uma falha que pode estar afetando o Brasil inteiro, do Caburaí ao Chuí. Cabral não descobriu apenas uma ilha, ele aportou num país imenso e não entendeu isso logo de imediato. É a mesma miopia que veremos a seguir, cinco séculos depois. 

 

O valor das imagens que não serão gravadas

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As emissoras de TV de Campinas possuem equipes, tecnologia e proximidade. Poderiam estar lá para mostrar o dinheiro público — R$ 3 milhões em verbas destinadas pelo Deputado Federal Delegado Bruno Lima — sendo transformado em saúde animal. Se tudo correr bem, é dever informar o sucesso. Se houver falhas, é dever apontar a solução. Mas o "não é do nosso interesse" recebido das redações prova que o compromisso com a utilidade pública foi substituído pela conveniência. Pior ainda, é o telefone que toca sem ninguém para atender, redação de Jornalismo com preguiça de servir ao público. E pauta que cai no colo do Jornalista, mas acaba na lixeira.

 

Um alerta nacional: do Rio Moa à Ponta do Seixas

O problema detectado no sistema federal SinPatinhas (Ministério do Meio Ambiente) não é um erro de bairro. É um alerta nacional. Se o sistema "emperra" e dificulta o acesso do cidadão em uma metrópole como Campinas, o que seria de se supor que estivesse acontecendo nos rincões do interior do país? A "burrice" de um atendimento mal treinado na ponta e a falha de um software federal têm um efeito cascata que prejudica milhões de animais e o bolso de milhões de contribuintes (você, inclusive), os quais sustentam essas verbas.

 

O papel da Imprensa e a concessão pública

É preciso questionar o critério de quem decide o que milhões de pessoas vão assistir. Enquanto o tempo caríssimo da televisão é gasto com futilidades, uma ação de utilidade pública que envolve a castração de 1.600 animais e o controle de zoonoses é descartada. O Jornalismo não é um favor; é uma concessão pública que exige profissionais com sensibilidade para entender que a vida animal e o direito do tutor valem muito mais do que pautas vazias.

 

Este Jornalista continuará cobrando. O Deputado será informado de como seu recurso está sendo tratado. As emissoras receberão esta matéria para que saibam que, enquanto elas ignoram o cidadão, a notícia continua acontecendo. E eu continuarei escrevendo "Jornalista", "Jornalismo" e "Imprensa" com caixa-alta, pois isso revela o respeito que eu tenho pelo ofício que abracei visceralmente e com o qual tenho um compromisso ético, que me dá o direito e o dever de criticar severamente quem exerce com descaso seu trabalho, seja ele qual for. 

 

Nota Histórica e Geográfica:

Os pontos citados (Monte Caburaí - Roraima, ao Norte; Arroio Chuí - Rio Grande do Sul; Nascente do Rio Moa - Acre, ao Oeste; e Ponta do Seixas - Paraíba, ao Leste) são os pontos extremos do território da República Federativa do Brasil, um país maravilhoso, com exatos 8.509.360,850 quilômetros quadrados (conforme a atualização de 2026 do IBGE) e que merecia ser habitado por uma tribo muito mais evoluída do que essa sociedade sucateada moral e eticamente que temos visto desde sempre, com os pecados escondidos atrás de placas de igrejas e a ignorância oculta atrás de diplomas. Seria um outro Brasil, o Paraíso na Terra!

 

Nota Biográfica e Política:

O Delegado Bruno Lima é uma das vozes mais expressivas da causa animal no Brasil. Nas eleições de 2022, foi eleito Deputado Federal com a impressionante marca de 461.217 votos, consolidando-se como o 6º candidato mais votado do país e o 3º no estado de São Paulo. Sua influência digital ultrapassa os 3 milhões de seguidores, conferindo-lhe uma audiência superior à de muitas emissoras regionais. Anteriormente, em 2018, já havia demonstrado sua força nas urnas ao ser eleito Deputado Estadual com mais de 100 mil votos. O montante de R$ 3 milhões destinado ao mutirão de Campinas faz parte de uma estratégia de gestão técnica e direta para a proteção animal em todo o estado. 

 

São fatos jornalísticos, não propaganda política.