O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras anunciaram um resultado expressivo no primeiro edital da iniciativa ProFloresta+, com 16 propostas recebidas para participar do programa. O número, divulgado em nota nesta sexta-feira (16), foi considerado "bem superior à expectativa de contratação prevista" e demonstra, segundo o banco, "o interesse do mercado em projetos de restauração florestal com geração de créditos de carbono de alta integridade". As inscrições foram encerradas no último dia 9.
Lançado em novembro do ano passado, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), o edital tem como objetivo principal a compra, pela Petrobras, de créditos de carbono originados a partir de projetos de restauração ecológica com espécies nativas no bioma amazônico. A iniciativa estabelece padrões rigorosos de integridade ambiental e prevê contratos de longo prazo, com o intuito de restaurar até 50 mil hectares na Amazônia.
De acordo com o BNDES, o ProFloresta+ tem o potencial de gerar cerca de 15 milhões de créditos de carbono, volume equivalente às emissões anuais de aproximadamente 8,9 milhões de automóveis. No conjunto, a iniciativa pode mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos para o reflorestamento da Amazônia nos próximos anos, reforçando a estratégia brasileira de combate às mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.
O primeiro edital do programa busca adquirir 5 milhões de créditos de carbono, distribuídos em cinco contratos de 1 milhão de unidades de Carbono Verificadas (VCUs) cada. Os projetos vencedores terão acesso a financiamento diferenciado do BNDES, incluindo linhas do Fundo Clima voltadas especificamente para a restauração com espécies nativas, o que deve facilitar a implementação das ações no terreno.
As propostas recebidas agora seguem para a fase de avaliação de efetividade técnica, onde serão analisadas com base nos critérios estabelecidos no edital. Entre os requisitos, destacam-se a integridade ambiental, as salvaguardas socioambientais e a capacidade de geração de créditos de carbono de alta qualidade. Caberá à Petrobras a escolha final do conjunto de propostas que representem o menor desembolso para o número total de créditos que se deseja contratar.
O resultado do certame, com a indicação dos vencedores, dos volumes contratados e do valor a ser pago pelos créditos, será divulgado pela Petrobras após a conclusão do processo licitatório, prevista para o primeiro semestre de 2026. A expectativa é que a seleção incentive a adoção de práticas sustentáveis e contribua para a redução do desmatamento na região, alinhando-se a notícias recentes, como a confirmação pelo Inpe de queda no desmatamento na maioria dos biomas em 2024, apesar de desafios persistentes, como a saída de exportadores de soja de acordos sobre a Amazônia.
O ProFloresta+ representa um passo significativo na articulação entre setor público e privado para a preservação ambiental, combinando mecanismos financeiros inovadores com metas ambiciosas de restauração. A adesão acima do esperado sugere um mercado em expansão para projetos de carbono no Brasil, com potencial para transformar a economia verde em uma realidade mais concreta na Amazônia.

