A Sabesp deu início a uma obra estratégica que promete fortalecer a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. Trata-se da Interligação Billings–Alto Tietê, uma estrutura permanente que permitirá a captação de até 4.000 litros por segundo de água bruta no braço Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano, que integra o Sistema Alto Tietê.

Com investimento de R$ 1,4 bilhão, a obra vai reforçar o abastecimento de toda a Grande São Paulo ao oferecer mais água para o Sistema Integrado Metropolitano, beneficiando cerca de 22 milhões de pessoas. Esta é uma das soluções priorizadas no Plano de Segurança Hídrica previsto no novo contrato da Sabesp, firmado após o processo de desestatização promovido pelo Governo de São Paulo em 2024 para acelerar os investimentos em saneamento básico.

A vazão a ser transferida representa uma pequena fração da capacidade de armazenamento da Represa Billings – que, sozinha, armazena mais água do que todas as represas do Sistema Cantareira somadas – mas terá papel relevante no reforço da oferta de água à população. A Sabesp já utilizou o mesmo volume proposto para essa transposição anteriormente, em estrutura temporária instalada durante a crise hídrica de 2014/2015. Desta vez, a solução será definitiva, com infraestrutura permanente, podendo ser acionada sempre que necessário, de acordo com critérios técnicos e operacionais.

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O que a nova obra fará é permitir que a água do Rio Pequeno possa alimentar dois sistemas produtores. Atualmente, essa quantidade de água já vem sendo usada quando necessário em outra interligação existente – a transferência para o Sistema Rio Grande. Com a nova conexão, a Sabesp terá a possibilidade de bombeá-la diretamente também para o Alto Tietê, aumentando a flexibilidade operacional.

A água será transportada por um sistema robusto, com vazão suficiente para abastecer cerca de 1,9 milhão de pessoas de forma contínua. A água transferida do Rio Pequeno passará pelo processo completo de tratamento, seja no Sistema Alto Tietê ou no Sistema Rio Grande, antes de sua distribuição à população.

A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas à resiliência hídrica da Sabesp – um programa que amplia a capacidade de resposta diante de períodos de estiagem e irregularidade das chuvas, por meio da criação de novas fontes de captação e da interligação dos principais sistemas produtores de água.

"Atuamos em áreas com baixa disponibilidade hídrica natural, altamente urbanizadas e densamente povoadas, como a Região Metropolitana de São Paulo, com quase 22 milhões de habitantes. Enfrentamos atualmente uma situação climática e meteorológica com um regime irregular de chuva e, por isso, a Sabesp tem investido cada vez mais em alternativas para a robustez e flexibilidade dos nossos sistemas de abastecimento", afirma Marcel Costa Sanches, diretor de Planejamento e Projetos de Engenharia da Sabesp.

Por isso, o novo contrato de gestão da Sabesp, firmado em 2024, previu a apresentação de um Plano de Segurança Hídrica com horizonte até 2060, voltado a garantir a disponibilidade de água ao longo de toda a concessão. A diversificação de fontes e a ampliação da integração entre sistemas serão, de forma estruturante, os principais eixos dessa estratégia de longo prazo.

A Região Metropolitana de São Paulo enfrenta uma situação hídrica historicamente desafiadora. A disponibilidade hídrica per capita local é extremamente baixa – em torno de 149 m³ por habitante ao ano, comparável a regiões semiáridas e muito abaixo do recomendado internacionalmente. Esse quadro se deve à grande concentração populacional e à limitada oferta natural de água na bacia. Em 2025, a região atravessou uma das piores estiagens em 10 anos, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média e vazões afluentes drasticamente reduzidas.

A nova Interligação Billings–Alto Tietê representa um avanço estrutural significativo em relação à experiência anterior, que operou entre 2015 e 2020. À época, a interligação foi concebida como solução emergencial e temporária, apresentando limitações relevantes: baixa flexibilidade operacional, trechos de tubulação expostos – o que elevava o risco de vandalismo e de falhas – e alto custo de operação, em razão da dependência de uma usina termelétrica a gás para o bombeamento da água.

Em contraste, a nova interligação foi projetada como uma solução definitiva, com tecnologia de ponta e modelo operacional flexível. O sistema permitirá que a água captada no Rio Pequeno seja bombeada de forma integrada e otimizada para dois sistemas produtores distintos, conforme a necessidade operacional e os níveis dos mananciais. Toda a tubulação será enterrada, reduzindo riscos de acidentes, falhas operacionais e vandalismo. Além disso, o sistema passará a operar com energia elétrica, eliminando a dependência de usinas a gás e aumentando a eficiência energética da operação.

Para o Sistema Alto Tietê, a água será transportada por adutoras de aço enterradas, com aproximadamente 38,1 quilômetros de extensão e diâmetros variando entre 1,50 metro e 1,80 metro – em alguns trechos, superiores à altura de uma pessoa. O traçado foi definido a partir de estudos técnicos e ambientais, priorizando a redução de impactos, ao percorrer exclusivamente vias públicas ao longo de 100% do trajeto.

A Estação Elevatória de Água Bruta, responsável pela captação e bombeamento, ficará às margens do braço do Rio Pequeno, na cidade de São Bernardo do Campo. Além da estação, a interligação entre os sistemas de abastecimento envolve a construção de subestação de energia e tubulações enterradas. Ela passará por São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes.

A empresa investirá mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo até 2027, o que representa 8.000 litros de água por segundo acrescidos, beneficiando toda a população da região. Paralelamente, a Sabesp pretende investir R$ 70 bilhões até 2029 para universalizar a oferta de água e esgoto em todo o estado de São Paulo.