Desde outubro, o Governo de São Paulo implementou um novo modelo de gestão hídrica que está mudando a forma como a água dos mananciais é monitorada e distribuída para a Região Metropolitana de São Paulo. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) acompanha em tempo real os níveis dos sete sistemas que produzem água para a região, permitindo decisões mais precisas e previsíveis, como a redução de pressão noturna em períodos de baixo volume.

O SIM opera com base em sete faixas de classificação, que vão desde o foco em prevenção até cenários extremos que podem exigir rodízio regional de abastecimento. As medidas não são tomadas de forma automática ou diária, mas seguem critérios rigorosos: as restrições só ocorrem após sete dias consecutivos com os índices na mesma faixa, e o relaxamento acontece somente após 14 dias consecutivos de retorno ao cenário imediatamente mais brando.

Nesta quarta-feira (14), o SIM operava com 27,2% de sua capacidade total, o que o enquadra na Faixa 3. Isso significa que está em vigor uma Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 10 horas por dia e há intensificação das campanhas de conscientização sobre o uso da água.

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Os resultados já são impressionantes. Até 4 de janeiro, foram economizados mais de 70,29 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de 12,33 milhões de pessoas - população maior que a da cidade de São Paulo. Essa economia é crucial em um contexto de menor volume de chuvas e temperaturas elevadas, características do verão paulista.

O sistema representa um avanço significativo na gestão hídrica do estado, especialmente após a crise de 2014/2015. O SIM reúne sete reservatórios interligados: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço. Essa interconexão permite que o governo transfira água entre os sistemas, garantindo maior segurança hídrica para toda a região metropolitana.

"A superação de períodos de estiagem depende não apenas da gestão técnica e da operação dos sistemas, mas também da participação da população", destaca o Governo de São Paulo. Por isso, as campanhas de conscientização são parte fundamental da estratégia, especialmente quando os reservatórios como o Guarapiranga enfrentam queda no volume armazenado por conta da escassez de chuva.

O Sistema Cantareira, que abastece cerca de metade da população da região metropolitana, possui regras próprias de operação definidas pela Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925, em vigor desde 2017. Por sua relevância, ele conta com monitoramento específico realizado conjuntamente pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas.

Todas as informações sobre os níveis dos reservatórios são públicas e atualizadas diariamente. O monitoramento é realizado 24 horas por dia pela SP Águas, que acompanha em tempo real os volumes armazenados, afluências, vazões captadas e o comportamento hidrológico no estado.

As faixas de ação do governo variam conforme a situação dos reservatórios. Na Faixa 1, o foco está em prevenção e consumo consciente. À medida que os níveis caem, as medidas se intensificam: na Faixa 3 (atual), há GDN de 10 horas; na Faixa 5, redução de pressão por 14 horas e priorização do abastecimento a serviços essenciais; e na Faixa 7, cenário extremo que pode exigir rodízio regional e apoio com caminhões-pipa.

O sucesso dessa iniciativa depende da colaboração de todos. Enquanto o governo monitora e gerencia os sistemas, a população precisa fazer sua parte com o uso consciente da água. Juntos, é possível preservar os mananciais e garantir a segurança hídrica para os mais de 20 milhões de habitantes da região metropolitana.