O estado de São Paulo alcançou em 2025 a maior redução no índice de queimadas da sua história, registrando uma queda de 91% na área queimada em unidades de conservação durante o período crítico da estiagem, entre junho e outubro. Os números, divulgados pelo Painel Geoestatístico da Operação SP Sem Fogo, mostram que foram 102 focos e 2.908 hectares afetados neste ano, contra 205 focos e 32.377 hectares em 2024. O número de focos detectados também caiu pela metade, com redução de 50%.
O resultado é ainda mais significativo por ter sido conquistado em um contexto climático excepcionalmente adverso. No período analisado, as temperaturas máximas ficaram em média 41% acima do comportamento esperado, enquanto a precipitação esteve 55% abaixo da normalidade, configurando uma das estiagens mais severas dos últimos anos no estado.
"Mesmo em um ano de condições meteorológicas extremamente críticas — com calor intenso, baixa umidade e meses sem chuva — conseguimos reduzir drasticamente a área queimada e o número de focos. Isso só foi possível porque ampliamos o planejamento, reforçamos as equipes e adotamos uma estrutura inédita de monitoramento e antecipação de riscos", destaca o coordenador estadual da Defesa Civil, Coronel Henguel Pereira.
Um dos pilares do sucesso foi a criação da Sala SP Sem Fogo, uma estrutura pioneira de coordenação, monitoramento e tomada de decisão em tempo real. Inspirada em modelos internacionais visitados pela Defesa Civil em Portugal e Espanha, a sala reúne especialistas, dados meteorológicos avançados, informações de focos ativos, mapas de risco e inteligência geoespacial.
Com boletins diários e análises preditivas, o sistema tornou possível antecipar em até 24 horas ações preventivas, deslocar equipes e reforçar rapidamente regiões vulneráveis, garantindo respostas mais rápidas e eficientes em todo o estado.
A fase de preparação da operação alcançou um marco inédito: cerca de 3 mil agentes de 600 municípios foram capacitados, o maior contingente já formado para prevenção e resposta a incêndios florestais. Foram distribuídos quase 14 mil EPIs e equipamentos de combate, como sopradores, abafadores, óculos, capacetes e luvas. A adesão ao Plano de Contingência da Estiagem cresceu 47%, passando de 169 para 249 municípios.
"Este é um trabalho baseado em ciência, planejamento e presença constante no território. São Paulo investiu em inteligência climática, formação de brigadistas, ampliação da frota, novas tecnologias e integração entre todos os órgãos envolvidos. O resultado aparece claramente. Somos hoje referência nacional em prevenção e combate a incêndios florestais", afirma a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende.
No período, a Defesa Civil emitiu 21 alertas de risco de incêndios florestais, 1.120 alertas via SMS por baixa umidade e quatro alertas severos via CellBroadcast, sistema que dispara mensagens diretamente para todos os celulares da área afetada. Quinze municípios receberam assistência humanitária, com a entrega de mais de 10 mil itens, totalizando investimento superior a R$ 414 mil.
O Governo Estadual destinou ainda R$ 14 milhões para apoio aéreo, com aviões e helicópteros dedicados ao monitoramento e combate ao fogo. O DER-SP investiu mais de R$ 141,4 milhões em ações de prevenção à propagação de incêndios nas áreas próximas à malha de 12 mil km de rodovias sob sua responsabilidade.
A Fundação Florestal, vinculada à Semil, destinou R$ 11 milhões à Operação SP Sem Fogo em 2025, fortalecendo a proteção das Unidades de Conservação com novas tecnologias, equipamentos e equipes especializadas. Foram adquiridas 12 motobombas, 1.100 ferramentas manuais, 200 mochilas costais, lanternas táticas e quatro tanques flexíveis para abastecimento em regiões remotas.
A Fundação Florestal também reforçou ações estruturantes e preventivas: foram executados 1.900 quilômetros de aceiros e manutenção de estradas nas unidades, dificultando a propagação do fogo e facilitando o acesso das equipes. Realizaram-se 46 treinamentos presenciais de brigadistas, alcançando 1.286 participantes entre prefeituras, ONGs, produtores rurais e equipes das unidades.
Outra frente importante foi a ampliação das queimas prescritas, técnica aplicada em parceria com o Corpo de Bombeiros e outros órgãos antes do período crítico da estiagem. Essas intervenções controladas reduzem significativamente a carga de combustível vegetal, diminuindo o potencial destrutivo de incêndios durante os meses mais secos.
O monitoramento foi modernizado com a ampliação dos sistemas SMAC e PANTERA, capazes de integrar dados de satélites, sensores térmicos, meteorologia e histórico de queimadas, gerando alertas com até 24 horas de antecedência. Drones com câmeras termais foram empregados para detecção precisa de focos, inclusive durante a noite ou em áreas de mata densa.
"A combinação de inteligência climática, presença territorial, capacitação contínua e tecnologia de alta precisão é o que nos permite proteger de forma mais eficaz nossos patrimônios naturais e também as zonas de amortecimento. A prevenção está cada vez mais estratégica, rápida e integrada, e isso faz toda a diferença no resultado final", afirma Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.
A Operação SP Sem Fogo é uma ação intersecretarial liderada pela Semil, Defesa Civil e Secretaria de Segurança Pública, com participação do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), Cetesb, DER e Fundação Florestal. As ações são desenvolvidas o ano todo, com fases verde, amarela e vermelha, ajustadas conforme o risco climático e a necessidade de resposta.

