Um trabalhador de 26 anos morreu na quarta-feira (18) após sofrer uma descarga elétrica enquanto atuava em um canteiro de obras no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, que detalhou que o acidente ocorreu durante um serviço de travessia de cabos, quando o homem encostou acidentalmente em um fio de alta tensão.
O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados rapidamente para o local, mas, infelizmente, o trabalhador não resistiu aos ferimentos graves causados pelo choque. A equipe de socorro encontrou a vítima já em estado crítico, e todas as tentativas de reanimação foram em vão.
Em nota oficial, a concessionária GRU Airport, responsável pela administração do aeroporto, esclareceu que o profissional "realizava manutenção em rede aérea em via pública" e que se tratava de um prestador de serviços externo. A empresa destacou que ele não era funcionário direto do aeroporto nem de seus cessionários, mas mesmo assim expressou pesar pelo ocorrido. "Lamentamos profundamente o fato e nos solidarizamos com os familiares e amigos", disse a GRU Airport, acrescentando que "as autoridades competentes foram acionadas para prestar o atendimento e investigar as causas da fatalidade".
O caso está sendo tratado como morte suspeita e está sob investigação da 3ª Delegacia de Atendimento ao Turista do Aeroporto (Deatur), sediada em Guarulhos. Os peritos e delegados devem apurar as circunstâncias exatas do acidente, incluindo possíveis falhas de segurança, condições de trabalho e responsabilidades envolvidas. A perícia técnica no local é fundamental para determinar se houve descumprimento de normas de segurança, como as estabelecidas pela Norma Regulamentadora 10 (NR-10), que trata especificamente de segurança em instalações e serviços em eletricidade.
Acidentes de trabalho como este reacendem o debate sobre a segurança laboral no Brasil, um país onde milhares de trabalhadores são afastados de suas funções anualmente devido a doenças e acidentes. Dados recentes, por exemplo, mostram que doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções em 2025, um número alarmante que reflete desafios estruturais. Além disso, casos de condições análogas à escravidão, como o processo movido por trabalhadores contra a Volkswagen, evidenciam vulnerabilidades no mercado de trabalho.
A morte do jovem de 26 anos em Guarulhos serve como um triste lembrete dos riscos enfrentados por profissionais em setores como a construção civil e a manutenção de infraestrutura. Especialistas em segurança do trabalho costumam enfatizar a importância de treinamento adequado, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e supervisão rigorosa, especialmente em atividades que envolvem eletricidade de alta tensão. A investigação em andamento pode trazer à tona detalhes cruciais para prevenir futuras tragédias.
Enquanto a família e os colegas do trabalhador enlutam-se, a sociedade aguarda os resultados da apuração, na esperança de que medidas corretivas sejam implementadas para garantir maior proteção aos trabalhadores. O aeroporto de Guarulhos, um dos mais movimentados da América Latina, segue operando normalmente, mas o episódio deixa uma marca de alerta sobre a necessidade contínua de investir em segurança e fiscalização nos ambientes de trabalho.

