A Meta divulgou seu balanço trimestral na quarta-feira, e mais uma vez a Reality Labs, divisão responsável por óculos de realidade aumentada, headsets VR e software imersivo, registrou um prejuízo de US$ 4 bilhões. O número, embora astronômico, já não surpreende: é a média dos últimos 21 trimestres, totalizando impressionantes US$ 83,5 bilhões perdidos desde 2021.
O que chama a atenção agora é a virada da empresa. Enquanto reduz o ritmo no metaverso, a Meta está redirecionando seus investimentos para inteligência artificial. Mark Zuckerberg anunciou que os gastos em infraestrutura de IA devem chegar entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026, superando projeções de analistas e as próprias estimativas anteriores da empresa. 'Estamos aumentando nossa previsão de capex para este ano', disse Zuckerberg em ligação com investidores, atribuindo o aumento a custos mais altos de componentes, especialmente memória.
Para se ter ideia, a Meta gastou bilhões em um metaverso que poucos adotaram, mas está disposta a gastar ainda mais em uma aposta que pode ter retorno. No primeiro trimestre de 2025, a receita cresceu 33% (US$ 56,3 bilhões) e o lucro líquido disparou 61% (US$ 26,8 bilhões), mostrando que a empresa tem caixa para bancar a ousadia. Resta saber se, desta vez, o dinheiro será bem empregado.

